Poesia como remédio para o momento

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Vinicius Castelli

Poeta Rafael Cavalcanti, em isolamento, faz leituras no Instagram e libera livro durante a quarentena

Desde que a pandemia da Covid-19 chegou ao País, muita gente passou a ficar em casa, como medida para tentar frear o avanço do novo coronavírus, uma determinação do poder público. E o poeta Rafael Cavalcanti é uma dessas pessoas que seguiram a recomendação e estão na quarentena.


Sozinho em casa, sem poder sair por causa de tudo o que está acontecendo, começou a ler trechos de outros autores que admira para seus leitores, por meio do Instagram (derafaelcavalcanti), nos stories, no período noturno, usando a hashtag #lerparadormir. E isso tem lhe feito bem.

Apesar de não poder sair na rua, o poeta tem passado esse tempo com boa companhia, com seus livros, cachorros, coelhos e plantas para cuidar. “Os dias são totalmente diferentes, apesar do mesmo cenário. Tem sido interessante. Mas, claro, existe a saudade. Ela usa os sonhos para nos perseguir. É um momento muito complexo, que ultrapassa as esferas da saúde e da economia. Todos nós, independentemente das funções, cargos ou posições, estamos nos reinventando, ou deveríamos estar.”

Cavalcanti aproveita o período também para escrever seu próximo livro, Espelho D’Água. “Também estou escrevendo outros dois e editando a obra de outros escritores jovens que estão começando”, adianta.

Pensando nas pessoas que estão, assim como ele, em casa, o escritor está liberando seu livro, Poemas Presos, em PDF, gratuitamente para os leitores durante a quarentena. Na obra, aborda temas comuns a todos nós, como solidão, amor, perdas, fins e recomeços, além da esperança. “Tenho feito isso desde quando soube que ficaríamos reclusos. Os leitores me mandam mensagens e envio o livro por e-mail. Gosto de ter essa troca, pois mando com dedicatória, como se fosse o livro físico”, explica.

Cavalcanti diz que ser lido é uma sensação incrível, mas ser relido é indescritível. “Alguns já voltaram pela terceira, quarta vez. Para mim, soa como se o que estivesse lá não bastasse, e de fato não basta, nem para eles nem para mim”, afirma.

Para o autor, quando um leitor retoma uma obra, é para buscar algo que não havia encontrado. “Nenhum livro é lido da mesma forma, principalmente os de poesia – apesar do nome Poemas Presos, considero-o uma narrativa linear contada através de linguagens poéticas. Nos últimos dias, meu amigo e confidente Zack Magiezi fez uma observação interessante sobre os livros de poesia: eles são maldições e não acabam nunca. Em algum momento precisamos retornar a eles, ou eles retornarão a nós. Concordo com ele.”




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