Plantas e flores mais do que necessárias

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Vinícius Castelli

Se envolver no plantio e cuidado traz benefícios psicológicos.
 
 
Exercícios no quintal, revirar livros de receitas, reviver brincadeiras de infância junto dos filhos, fazer cursos on-line, aprender a tocar um instrumento, escrever um livro. Tudo vale para se manter bem nesta fase em que as pessoas encaram o isolamento físico, realizado desde março, como medida dos órgãos públicos para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus, cujos números não param de subir no Brasil. Além dessas citadas, outra prática que tem sido adotada por quem está podendo ficar em casa é a de cultivar plantas, seja no quintal, em alguma partezinha da residência ou na sacada do apartamento.
 
Segundo a psicóloga de São Caetano Luísa Chiocheti, em tempos como agora, de distanciamento físico, “em que o medo da doença assola as nossas vidas, a saudade incomoda, a liberdade limitada, precisamos encontrar recursos diferentes para se adequar à nova realidade, que é momentânea, porém, pode ser bastante incômoda.”
Ela explica que o ‘cuidar’, seja o autocuidado, do próximo, do lugar em que se vive, pode ser considerado uma ferramenta que facilita o desenvolvimento emocional e pode promover bem-estar para quem está cuidando. “Acho que muitas pessoas,  que até nem se interessavam por isso, estão passando a cuidar de jardins, vasos ou até mesmo hortas dentro de suas casas durante este momento de reclusão”, diz.
 
Para a psicóloga, em meio a tanto caos, medos e incertezas, cuidar de uma planta ou de um jardim pode ser uma manifestação interna da vida, da esperança. “As plantas são vivas, precisam de dedicação, cuidado, água, luz, estar em um lugar adequado. Precisam de alguém que lhes dê atenção e tempo para este cuidado, senão, secam, se afogam ou morrem”, analisa.
 
Segundo ela, quando se pode fazer este movimento, se dedica energia ao cuidado. “Além de distração, teremos uma planta bonita, um jardim crescendo, uma casa enfeitada, com vida. Tudo o que fazemos com dedicação floresce e, nestes tempos, temos precisado nos dedicar ao cuidado, olhar para dentro e reinventar.”
Para quem quiser arriscar uma horta caseira, boas dicas para começar são alecrim, manjericão, hortelã e erva-cidreira, que podem ser, inclusive, replantados a partir de seus galhos. É necessário colocar em um recipiente com água e trocá-la a cada dois dias. Importante que receba luz solar com frequência. Assim que as raízes começarem a despontar, basta colocar em um vaso com terra. A medida vale ainda para a cebolinha, de onde deve ser mantida a parte de baixo do maço. A diferença é que a água dela deve ser trocada diariamente.
 
Além de ser uma atividade prazerosa, que envolve, distrai, o florista Elizeu de Almeida explica que o convívio com plantas e flores colabora com a qualidade do ar no ambiente e ajuda a evitar desconfortos ligados à falta de umidade. “Sempre percebemos que também ajuda as pessoas a desenvolverem um senso maior de cuidado e responsabilidade”, explica.
 
Segundo o profissional, para quem está começando a lidar agora com plantas e flores, o correto é buscar espécies que se adaptam bem a espaços internos e que não demandem muita luz. “Há diversos gêneros de flores e plantas que se ajustam bem em locais fechados, mesmo em ambientes mais escuros e úmidos”, comenta Elizeu de Almeida.  “No geral, elas são mais descomplicadas de manter e ótimas alternativas para os iniciantes no mundo das plantas”, acrescenta.
 
Entre as sugestões que dá está a orquídea. Segundo o especialista, elas também se comportam bem em ambientes internos com claridade. “No inverno, as orquídeas devem ser molhadas a cada 15 dias, encharcando e deixando escorrer, e no verão uma vez por semana. Importante lembrar que elas não podem ser expostas diretamente ao sol quando não houver flores e adubar com substrato específico uma vez ao mês”, afirma o florista.
Outra dica é a planta de nome pacová. Segundo Almeida, serve para casas e apartamentos. “Ela precisa de claridade, mas sem luz direta e pode ser regada apenas umas duas vezes por semana”, explica o florista. O lírio da paz também é uma opção a ser considerada. “Se adapta bem à sombra e não exige mais do que regas esporádicas de acordo com a umidade da terra”, complementa.
Ele cita ainda bambu da sorte e a avenca, que funcionam bem em ambientes internos. “Elas podem ser mantidas nos vasos com terra ou podem ser transferidas para recipientes somente com água.”
 
 
PASSATEMPO
O estudante Enrico Padula,  16 anos, de Santo André, sempre gostou de cultivar um vaso ou outro. Mas com a necessidade de cumprir a quarentena, ele, que cursa o 2º ano do ensino médio, tomou gosto pelas plantas. “Durante o isolamento tenho mais tempo para cuidar e também ganhei uma diversão. Antes de escolher o que plantar, pesquiso na internet porque tenho um gato e vejo plantas que, caso ele coma, não passe mal”, diz. Entre os cultivos que mantém em sua varanda estão cebola, cebolinha, manjericão e uma semente de abacate. Nas próximas semanas a ideia é plantar também berinjela. “As plantas também deixam o ambiente agradável”, conclui.
 
 
 



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