Cuidado com os remédios

Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar A- A A+

Compartilhe:

Marcela Munhoz

Juro que já ouvi, e foi mais de uma vez, frases do tipo: ‘Vou dar meio comprimido, não tem problema’ ou ‘algumas gotinhas vão fazer bem’.  Isso é gente medicando animais de estimação com remédio de humano. Obviamente a ‘automedicação’ é com a intenção de tentar diminuir a dor ou acalmar o bichinho, mas deveria ser algo impensável de ser feito. Concorda?

Durante o isolamento físico imposto pela pandemia de Covid-19 casos assim estão aumentando. Com medo de ir até os consultórios tutores estão usando remédios de humanos, medicamentos vencidos ou tentando dar um 'jeitinho caseiro' para alguma problema de saúde que o pet apresenta. Isso é muito perigoso.

“A automedicação não deve acontecer. Dependendo do tamanho do bicho, precisa de uma dose de remédio. Dependendo do estado físico dele, é outra dose. Às vezes, o que foi prescrito pelo veterinário em outro momento não será eficaz em novo quadro clínico”, explica Juliana Pajosse, médica-veterinária da MayPet.

A especialista também aponta as consequências de dar remédios humanos. “É possível matar o animal intoxicado. Já recebi na clínica uma cachorrinha com bicheira e o dono, por conta própria, colocou remédio. O problema seria totalmente tratável, mas ela não resistiu à toxidade do medicamento.”

Assim como está sendo recomendado em relação à saúde humana, os veterinários estão pedindo para que os tutores continuem levando os bichos às consultas. “Se a pessoa é do grupo de risco e está com medo, peça para alguém fazer. As clínicas e os profissionais estão trabalhando com cuidados extremos. Não pode sair? Liga para o veterinário e veja se ele pode ir até o pet.”

Sobre dar banho em casa, a recomendação, claro, é que se faça com cuidado. “Proteja os ouvidos, use xampu adequado, água e secadores em temperatura amena. Não esqueça de secar muito bem”, explica a veterinária. Segundo ela, também é importante escovar os pelos longos para que não enrosquem. “O ideal é esperar cortar as unhas quando for ao veterinário.”

Além da automedicação, Juliana Pajosse percebeu aumento na procura de consultas por tutores com animais mais estressados por causa da quarentena. “Alguns estão muito ansiosos e ganharam peso, principalmente porque não estão mais saindo para passear na rua ou, pelo menos, não na frequência de antes. Os cachorros, por exemplo, começam a apresentar quadros de compulsão, como lamber até se machucar.  A dica é procurar ajuda, nunca tentar fazer algo sozinho, sem orientação. Não coloque a vida do bichinho em risco”, conclui. 

 



Diário do Grande ABC. Copyright © 1991- 2020. Todos os direitos reservados