O fazer feminista

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Aline Melo

Usei a coluna de estreia para apresentar aos leitores, de forma bem básica, o que é o feminismo: a luta por direitos e oportunidades iguais para todos. Mas, dito isso, entendo que o próximo passo é pensar como se dá o fazer feminista.

No meu entendimento, creio que ele se dá de diversas formas, em abordagens distintas e, por isso, é importante que as pessoas estejam dispostas a desconstruir preconceitos e estereótipos.

Não é raro ouvir afirmações como “não sou feminista, sou feminina”. Ou “gosto de me depilar, por isso não sou feminista”. São frases maldosas e desprovidas de conhecimento, porque é óbvio que as mulheres podem ser feministas e femininas, se depilar, se maquiar, casar, cozinhar, cuidar dos filhos e da casa. Porque uma das grandes bandeiras do feminismo é garantir que as mulheres tenham escolha.

E muito diferente do que dizem alas mais conservadoras da sociedade, ser feminista não é (apenas) participar de passeatas com os seios à mostra, ainda que seja legítimo o uso do corpo como forma de expressão contra uma sociedade que insiste em sexualizar e julgar corpos femininos. Durante a última campanha eleitoral, as redes sociais foram tomadas por imagens como essas na tentativa de demonizar o feminismo e suas lutas.

O fazer feminista se dá no trabalho daquelas pessoas que se dedicam a pensar e discutir estratégias para cobrar políticas públicas como fortalecimento da rede de proteção às vítimas de violência doméstica; para geração de emprego e renda, fator fundamental para a autonomia; de assistência à saúde, incluindo os direitos sexuais e reprodutivos. E esses debates podem se feitos em grupos articulados, em partidos, movimentos sociais, ou individualmente.

Foi somente através das lutas feministas que muitos direitos existentes hoje foram conquistados. Apenas em 1879 foi permitido às mulheres cursarem o ensino superior. O direito ao voto só foi garantido em 1932. E apenas em 1962 deixamos de precisar da autorização do marido para trabalhar. 

O fazer feminista se dá na desconstrução diária dos conceitos machistas que estão enraizados no senso comum das pessoas. Na reflexão acerca das nossas próprias atitudes e na análise do quanto nossas ideias e convicções estão baseadas em conceitos machistas. Toda pessoa que se levante contra a desigualdade de gênero está fortalecendo e “praticando” o feminismo. E você? Já repensou as suas atitudes hoje?

 



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