Café x Colesterol

Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar A- A A+

Compartilhe:

Alessandra Nunes

O café é uma das bebidas mais populares do mundo e, apesar de o produto já possuir seu espaço consolidado no mercado, novas formas de comercialização para o preparo da bebida são lançadas a cada ano, influenciando  o aumento do consumo. 

Existem diferentes maneiras de se preparar a bebida, que variam conforme a tradição de cada país. No Brasil, as formas  mais comuns são: café fervido ou estilo escandinavo (sem filtração do pó), passado em filtro de papel ou de pano, café expresso, além do uso do café instantâneo ou solúvel.

Os efeitos do consumo de café irão depender da qualidade e quantidade dos compostos químicos ingeridos. O  considerado moderado oscila entre três e cinco doses diárias de café (o que equivale a 150 a 300 mg de cafeína ao dia).

Estima-se que o grão de café torrado possua mais de 2.000 compostos químicos, com atividades biológicas diversas. Em virtude disso, muitos estudos têm sido feitos para avaliar os benefícios e malefícios. Os compostos mais estudados são o cafestol, o caveol, os ácidos clorogênicos e a cafeína. 

A cafeína é um dos compostos mais conhecidos. Os efeitos fisiológicos mais notáveis ocorrem após a ingestão de doses baixas a moderadas (50 a 300 mg) com melhoria na performance cognitiva e psicomotora (estado de alerta, energia, vigilância auditiva, diminuição da sonolência e cansaço). Estima-se que uma xícara de 150 mL contenha de 66 a 99 mg de cafeína no infusão, 66 a 81 mg de cafeína no instantâneo, 48 a 86 mg de cafeína no fervido, de 58 a 76 mg de cafeína no expresso e de 1,3 a 1,7 mg de cafeína no descafeinado.

O ácido clorogênico é conhecido pela capacidade antioxidante que remete à ação protetora do sistema circulatório e contra os radicais livres, possuindo, portanto, um caráter preventivo para determinados tipos de câncer. Por outro lado, o ácido clorogênico é uma substância capaz de influenciar no aumento da liberação de gastrina, o que pode desencadear desconfortos gástricos.

Inúmeros estudos têm associado o consumo de café a um aumento dos níveis séricos do colesterol. O cafestol é a substância responsável por este potencial de elevação do colesterol, sendo cerca de 80% por elevação da LDL (Lipoproteína de Baixa Densidade) e 20% por elevação da VLDL (Lipoproteína de Muito Baixa Densidade).  

O teor de cafestol na bebida varia em razão do modo de preparo, ou seja, da técnica culinária empregada na preparação da bebida. O café turco e o fervido, por exemplo, contêm níveis altos (6 a 12 mg/xícara), enquanto o filtrado e o instantâneo contêm níveis baixos (0,1 a 0,2 mg/xícara). O fervido tem maior concentração por causa da alta temperatura empregada durante o preparo e do tempo de contato entre o pó de café e a água. 

Portanto, para quem tem níveis elevados de colesterol no sangue, vale a pena investir nos cafés coados em filtro de café. Converse com seu médico e nutricionista sobre o assunto.

 



Diário do Grande ABC. Copyright © 1991- 2019. Todos os direitos reservados