Panelaço Francês

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Vinícius Castelli

No Brasil desde 1979, o chef Claude Troisgros comemora programa ‘Mestre do Sabor’, na TV Globo,  boa fase da carreira e diz que gastronomia ´é sua vida'.

Quando há paixão e dedicação no que se faz, o resultado tem grande chance de ser positivo e florescer a cada etapa. Talvez sejam esses os principais ingredientes da vida de Claude Troisgros, 63. Francês de Roanne, região central do país, o chef de cozinha, que desembarcou no Brasil há quatro décadas – e de onde não saiu mais –, faz do universo gastronômico sua vida e colhe saborosos frutos disso.

Se seu rosto já era conhecido pelos brasileiros por conta de programas na TV por assinatura, como Que Marravilha! e The Taste Brasil, por exemplo, agora o chef está na casa da grande maioria dos brasileiros. É que Claude é o responsável por apresentar a nova aposta da Globo, o Mestres do Sabor, reality de gastronomia cuja estreia foi dia 10 de outubro e em que o ganhador levará para casa prêmio de R$ 250 mil.

Na nova empreitada, ele é acompanhado por seu grande amigo, Batista. Juntos, eles contam com três chefs de cozinha, Leo Paixão, Kátia Barbosa e José Avillez, no papel de mestres, e que ficam responsáveis por auxiliar e avaliar as habilidades dos candidatos da competição, todos profissionais.

Claude diz que encarar esse desafio representa uma evolução e crescimento do seu trabalho de cozinheiro ao longo de mais de 40 anos de profissão e como apresentador de programas culinários na TV há 15 anos. “Me dá muita alegria e felicidade ver este reconhecimento e saber que agora vou poder entrar na casa de mais pessoas ainda e mostrar a alegria que a cozinha pode proporcionar”, diz.

A ideia do programa surgiu de uma conversa qualquer entre o chef e um velho conhecido, Boninho, diretor da emissora. “Um certo dia, entrei em contato com o Boninho perguntando sobre a ideia de um reality show culinário na TV Globo. Ele me perguntou imediatamente: ‘Você quer fazer?’.  Passados seis meses, essa vontade se transformou em realidade e está acontecendo com Mestre do Sabor”, explica.

Claude diz que não é tarefa fácil estar à frente de um programa em que há pressão, já que se trata de importante disputa. “É difícil principalmente para os concorrentes, eles vivem uma tensão permanente.  Mas o grande diferencial do programa é que a competição é saudável, ela soma, ensina, acolhe, tem emoção, humor. Evitamos o drama e valorizamos a educação”, explica.a.

Segundo o apresentador, é difícil perceber, logo de início, quem dos participantes tem tino para a cozinha. “Mas após o primeiro contato consigo entender o caráter e personalidade culinária do cozinheiro”, diz. Para o francês tem sido momento de grande crescimento e aprendizado, “trabalhando com uma equipe unida e respeitosa, grandes profissionais da TV. Aprendi mais sobre a arte de apresentar, de lidar com plateia, de entender o timing de um grande reality show.”

PARCERIA

Claude celebra também o fato de, mais uma vez, poder trabalhar junto do amigo e também chef Batista. “É meu irmão, companheiro há 38 anos na cozinha e há 15 anos na TV. Nossa parceria aconteceu naturalmente, somos parceiros de coração e sempre quero a energia dele do meu lado”, diz. Claude tinha um restaurante no Rio de Janeiro, em 1981, chamado Roanne, e Batista foi seu primeiro funcionário.

O chef fazia tudo sozinho à época, as compras, cozinhava, lavava a louça. Tinham 18 banquinhos sem encosto, uma cozinha de 10 m² com fogão e geladeira caseira usados. “O restaurante foi um sucesso e tinha fila na porta”, relembra.  Um belo dia, Batista passou procurando trabalho. “Quando Batista apareceu, falei para ele ‘entra aí, vai lavar a louça’. Ele sabe tudo da cozinha. Um grande homem, amigo e parceiro. ‘Love‘ Batista. Nossa parceria aconteceu naturalmente, somos parceiros de coração e sempre quero a energia dele do meu lado.”  

Claude diz que o reality é um programa que valoriza a cultura e arte culinária do Brasil, que é muito vasta. “Todas regiões têm a sua história, seu caminho, seus produtos e produtores, suas técnicas  de cozinha diferentes. O Mestre do Sabor reverencia e homenageia o nosso Brasil”, afirma.

E por falar em Brasil e comida brasileira, o País é o local que Claude escolheu para viver. Brinca dizendo que se considera um brasileiro com bastante sotaque. “Tenho mais tempo de vida no Brasil do que na França! Amo e acredito neste País, que me recebeu com muito carinho nos anos 1980 e onde criei  família, amigos e sucesso profissional. Sou verde e amarelo”, diz ele, que uma vez por ano volta para a França para rever a família. “E, por incrível que pareça, sinto imediatamente saudade daqui”, diz.  

RAÍZES

Claude foi criado pela avó italiana, Ana Forte, que ele conta ter sido uma grande cozinheira. Por isso é apaixonado por preparar pratos italianos. Ele é a terceira geração de uma família de cozinheiros. Diz ter visto o movimento da nova gastronomia francesa ser criado por seu tio Jean e seu pai, Pierre. “Vivo neste ambiente e convivo com cozinha, cozinheiros, produtos, produtores, clientes e sabores desde de pequeno. Cozinhar está no meu sangue”, afirma, com gosto.

E não é só nas lembranças do passado ou nos estúdios de TV que essa paixão se move. Ao contrário. “Amo cozinhar em casa”, diz. Principalmente para sua mulher, Clarisse, seus filhos e amigos. “Gosto dessa ‘pegada’ caseira onde abro a geladeira e uso o que tiver na hora. É sempre criativo, solto, sem compromisso. E pura generosidade”, acredita.

Sobre o Mestre do Sabor, Claude ainda não sabe dizer se a empreitada terá sequência. “Essa resposta será do Boninho e da Globo”, brinca. Mas torce e acredita que o programa será um grande sucesso e terá sim a segunda temporada.  E é tanto amor que quando questionado sobre o que a gastronomia representa em sua vida, Claude responde sem pestanejar: “Ela não representa, ela é a minha vida”, diz.

Por essas e outras, se depender de Claude e de seu amor e dedicação com os alimentos e a preparação deles, Mestre do Sabor – e tudo mais o que ele se propõe a fazer – será sucesso, sempre.

 

 

 




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