Versatilidade artística

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Tauana Marim

Aos 38 anos, o ator Marcos Veras estrela diferentes projetos, todos ao mesmo tempo. Com o longa recém-lançado Tudo Acaba Em Festa, o artista também está nas telinhas, em programa semanal da Rede Globo, com Lázaro Ramos, em Os Melhores Anos das Nossas Vidas. Na rádio da emissora, Papo de Almoço ganhou grade diária, de segunda a sexta-feira, ao meio-dia. Para o artista, fazer o que se gosta dá nisso. Veras não esconde seu entusiasmo pelo que faz e o que está por vir. E não falta energia para isso. Em janeiro, está escalado no elenco da nova novela das 19h, Verão 90, além do lançamento de mais filmes, nos quais estrela. Desde os 16 anos, Veras fez de tudo um pouco – de apresentador do Shoptime, a participação em canais de humor da internet, passando por apresentador de TV, protagonista de filme e papéis importantes na teledramaturgia. Diante da vasta experiência, ele não se vê fazendo outra coisa. Está sempre em busca de desafios como, por exemplo, atuar atrás das câmeras, como roteirista e produzindo o próprio programa. Na vida pessoal, curtir a família e ter filhos estão na lista de sonhos. Veras conversou com a revista Dia-a-Dia em papo descontraído e surpreendente. Confira!

Com que idade iniciou a carreira artística?

Comecei minha carreira aos 16 anos, fazendo teatro amador na escola e, em seguida, entrei para a Escola de Teatro, onde aprendi muito, e me profissionalizei, com 18 anos. Depois não parei mais.

 

Você é formado em Teatro e Propaganda e Marketing, correto? Houve período em que não tinha certeza da vida artística? Planejava estar onde chegou no início da carreira? Trabalhou com outra profissão?

Eu me formei em Teatro primeiro. Mas, sempre gostei de publicidade, então, era uma vontade e, ao mesmo tempo, um plano B. Sempre ouvi sobre as dificuldades da carreira artística no Brasil. Viver de arte não é fácil, então, queria ter uma segunda opção que gostasse também. Por isso me formei em Propaganda e Marketing, já depois de estar trabalhando como ator, mas nunca exerci a profissão de publicitário. Quando adolescente, trabalhei como vendedor de roupa em loja e com o salário pagava meu curso de Teatro. Até que um dia pedi demissão da loja para tentar a vida artística. Sofri, fiquei sem grana, voltei para loja, sai de novo. Eu não tinha certeza do sucesso. A gente nunca tem. Mas a veia artística sempre falou mais alto e no fundo eu sentia que um dia eu viveria da minha profissão e só dela. Trabalho todos os dias para que isso continue. Amo o que faço.

 

Você é conhecido, principalmente, pelo sucesso com personagens de comédia. Acredita que seja importante, enquanto ator, desmistificar esse lado do humor fazendo outros trabalhos? É difícil deixar o estereótipo de comediante?

Amo fazer comédia, sou comediante com muito orgulho. Modéstia à parte, fazer humor é para poucos. É especial e difícil. Mas, como artista, gosto de brincar em outros gêneros e venho conseguindo mostrar isso. É bom para mim e para o público que já te curte e te vê fazendo outra coisa. A comédia é o meu cartão de visitas, mas a minha carreira vem sendo construída em cima da versatilidade e adoro isso. Gosto de fazer comédia, mas gosto de fazer drama, de apresentar. Meus maiores ídolos são comediantes e que também fazem drama.

 

Também é roteirista. Como é atuar por trás 'das câmeras'? É um desafio?

Eu escrevo, mas ainda estou engatinhando no assunto. Eu costumo escrever para mim, para minha embocadura. O próximo passo é escrever para o outro. Minha experiência como roteirista ainda é tímida. Escrevia meus quadros na Fátima (programa da Rede Globo, Encontro com Fátima) junto com o Leonardo Lanna, hoje, roteirista do (programa) Ta No Ar. Escrevi meu stand-up Falando a Veras junto com Saulo Aride, mas, no geral, sou um criador de ideias. Venho escrevendo ideias para cinema e TV. E quanto a ser diretor, dirigir, ainda é uma vontade, um sonho a ser realizado mais para frente.

 

Algum dia pretende se dedicar apenas a uma dessas funções?

Não! Uma só função? Nem pensar! Sou um inquieto. Gosto de fazer várias coisas ao mesmo tempo. E atuar é algo que quero sempre.

 

O rádio faz parte de sua trajetória. Como é trabalhar neste veículo?

Fiz rádio durante muito tempo. É uma escola! Muito veloz e improviso. Descobri meu lado apresentador e comunicador por meio da experiência no rádio. E agora, depois de um tempo afastado, volto ao segmento na Rádio Globo com um programa meu (Papo de Almoço), que é uma delícia de fazer. Aprendo muito com os temas e com os convidados. O rádio, atualmente, se tornou muito mais interativo com a internet, se modernizou.

 

O longa 'Tudo Acaba Em Festa' foi lançado agora. Como foi realizar esse trabalho? Há algo de diferente diante de tudo que já fez?

Foi uma experiência ótima. Amo fazer cinema e esse filme tem um elenco de respeito. São atores e comediantes incríveis. É uma comédia deliciosa e leve, para família toda. É comum as histórias terem um ou dois protagonistas, mas esse é um filme de turma. Elenco grande e importante para história. Faço um gerente de RH (Recursos Humanos) que é ‘meio’ irresponsável, então, é sempre gostoso fazer algo que você não é na vida real.

 

Dentre os filmes em que atuou, 'O Filho Eterno' mostra outro Veras, mergulhado em assunto delicado e diferente da comédia. Como foi elaborar o personagem e trazer à tona debate de aceitação e amor?

Eu tenho um amor por esse filme. Foi uma das experiências mais incríveis que já tive na vida. Esse filme tem uma importância porque fala de preconceito, de paternidade, de frustração, mas, sobretudo, de amor. Ninguém saiu igual desse filme. Todos fomos modificados como ser humano. Foi ótimo ter feito um personagem denso, difícil. Para o ator é um 'prato cheio'. E, como ser humano, evolui.

 

Como foi a experiência em atuar como apresentador do Shoptime? O que lhe trouxe como bagagem para os trabalhos futuros (como a breve apresentação do ‘Vídeo Show’)?

Foi uma superescola, muito improviso e jogo de cintura. Era vender e apresentar ao mesmo tempo. Foi meu primeiro salário com carteira assinada na TV, então fiquei todo bobo. E, sem dúvida, me preparou para outras experiências como apresentador, no Encontro, no Vídeo Show, no atual Os Melhores Anos das Nossas Vidas.

 

Como foi a experiência em participar do programa da Fátima Bernardes? Isso lhe trouxe outro tipo de notoriedade? Por quanto tempo atuou? As participações enquanto repórter lhe trouxeram novo aprendizado?

Quando começou o programa o desafio era grande. Horário novo, apresentadora nova, programa ao vivo. Estive no Encontro desde a estreia, em 2012, até o fim de 2015. Foram três anos em que fiz de tudo. Reportagem na rua, enquetes de humor no palco. Dancei, cantei, paguei ótimos micos, até cobrir férias da Fátima como apresentador. Tudo ao vivo. Foi lindo. Ganhei notoriedade. Diariamente seu nome sendo citado pela Fátima, que é uma pessoa sem igual. Generosa, amorosa e competente. Devo muito a ela e ao programa. Costumo dizer que depois do Encontro virei também apresentador.

 

Qual a principal diferença entre atuar em novelas, em canais como ‘Porta dos Fundos’, em programas de humor (como o ‘Zorra Total’) e em peças de teatro?

Não tem muita diferença. Tudo é atuação. Mas você se adapta e entende o universo para o qual está falando. No Porta dos Fundos era algo novo na época, falar para internet. A liberdade era maior com o conteúdo. É humor de mesa de bar, do cotidiano. No Zorra Total antigo já era humor mais caricatural, mas histriônico, do bordão. Nesse caso, você se adapta para aquele universo. E o teatro é o local onde pode tudo, onde o artista é mais dono do seu trabalho. É libertador.

 

Você esperava chegar onde chegou?

Ah, a gente trabalha pensando na realização, né? Não sei se cheguei onde eu quero, se eu vou mais longe. Sei que gosto onde estou e continuo buscando novos desafios, mas nunca pensei em fama, gosto mais do sucesso.

 

Quais os planos e projetos para 2019?

São muitos! Tem a novela Verão 90, que estreia no fim de janeiro. Tenho três filmes para lançar – uma biografia de Divaldo Franco; a comédia Uma Nova Chance e uma outra filmada em Bariloche (Argentina), chamada Quatro Amigas Numa Fria. Devemos ter a segunda temporada de Os Melhores Anos das Nossas Vidas. Vou fazer a próxima temporada da Escolinha do Professor Raimundo. Começo nova peça de teatro. E ainda estou desenvolvendo um programa meu”, finaliza.

 




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