Casa à prova de alergias

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Caroline Manchini

Limpeza, escolha certa dos materiais dos móveis e de objetos de decoração podem ajudar os alérgicos

O número de pessoas com algum tipo de alergia respiratória não para de crescer. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 35% da população brasileira sofre com a doença. A rinite alérgica, por exemplo, afeta, segundo pesquisa realizada pela WAO (Organização Mundial da Alergia), entre 20% e 30% da população mundial. Para os alérgicos o problema vai além dos números e estatísticas. É preciso se adaptar à rotina cheia de restrições, principalmente dentro de casa. Cortinas e sofás de tecido, almofadas, tapetes felpudos, pelúcias e objetivos de decoração que acumulam poeira são os principais vilões. “Todos os cômodos da casa ou apartamento devem ser decorados de maneira clean, sem muitos acessórios. Isso evita o acúmulo de pó e sujeira”, explica o arquiteto e urbanista Péricles Coppi. Portanto, quando menos enfeites, melhor. Isso porque os ácaros microscópicos, presentes no excesso de poeira, são os principais responsáveis por causar coceiras, espirros, tosses e inchaços.

Além disso, a limpeza regular e assídua, indispensável nas casas dos alérgicos, torna-se difícil e exaustiva em ambientes com muitos objetos. “O ideal é evitar pelúcias e optar por bichinhos que tenham tecidos lisos e fáceis de serem higienizados com frequência. Pode-se pensar também em móveis ou nichos com vidro para guardá-los”, aconselha a decoradora e arquiteta Alessandra Ceceli. Para manter a limpeza dos cômodos, os especialistas recomendam o uso de persianas com lâminas ou alumínio e até mesmo as do tipo tela solar, que podem ser higienizadas com pano umedecido com água ou álcool. Outra dica são as persianas de paletas verticais.

Nos quartos, o uso de cobertas deve ser evitado. É preferível dormir com edredons ou peças antialérgicas. Aconselha-se proteger travesseiros e colchões com capas hipoalergênicas e lavar as peças com frequência. Esses materiais podem ser encontrados em lojas física e on-line dos mais variados segmentos. “O não contato com agentes alergênicos faz com que a profilaxia e o tratamento médico sejam mais eficazes”, afirma o otorrinolaringologista Cícero Matsuyama.

Em relação aos móveis, também é preciso ter cuidados especiais. “Cabeceiras de camas, painéis e portas dos armários devem ser feitos com materiais lisos como MDF ou revestidos de fórmica”, recomenda Alessandra. “No caso das camas, é melhor optar pela voz (com baú) em vez dos estrados de madeira, já que esses acumulam mais pó”, acrescenta. Outra dica para manter a limpeza é optar por armários, tanto nos quartos quanto na cozinha, que encostem no teto, pois dessa forma a sujeira não ficará aglomerada em cima do móvel. Prateleiras sobre a cama e móveis devem ser evitadas. Os tapetes só estão liberados se forem antialérgicos ou de material emborrachado. Para o quarto das crianças podem ser usados os famosos tapetes de PVC e, na sala, os sofás de couro são os mais indicados.

As restrições e adaptações não param por aí. “Para facilitar ainda mais a limpeza do local, os pisos laminados, porcelanatos e vinílicos são os ideais”, explica a arquiteta. Além disso, é importante se atentar, no momento da faxina, aos produtos utilizados. De acordo com Matsuyama, soluções aquosas com vinagre costumam ser ideais. Ele alerta ainda que os desinfetantes com odor intenso e anti-sépticos devem ser evitados. “Essas substâncias podem acarretar crises alérgicas intensas”, explica.

A disposição dos móveis também pode melhorar a qualidade de vida. Eles devem ser colocados em áreas ventiladas e, sempre que possível, receber a luz do sol. “Devemos habitar ambientes salubres e, para isso, permitir a ventilação cruzada, por meio do posicionamento e abertura de portas e janelas”, afirma Coppi. Essa circulação facilita a entrada e a saída de ar, que estará em constante renovação. É por isso que, no inverno – quando os raios solares diminuem e as pessoas costumam ficar em ambientes fechados –, as crises alérgicas aumentam. “Com isso cresce o número de agentes suspensos provocadores das alergias”, esclarece Matsuyama.

E falando em ar, o alérgico também pode buscar outras alternativas eficazes. Uma delas, chamada aromaterapia, utiliza óleos essenciais e fragrâncias que prometem trazer bem-estar físico e psicológico. “Essa terapia é novidade e trata o indivíduo como um todo. Os óleos de alecrim, sálvia e tomilho, por exemplo, fortalecem o sistema imunológico e melhoram a condição energética”, esclarece o naturopata Daniel Costa. “As terapias naturais ajudam a aliviar os sintomas em fases agudas e, posteriormente, tratam a causa da alergia”, afirma o especialista em bases de medicina integrativa.

Com tantas opções para amenizar o problema, as orientações mais adequadas, que devem ser seguidas à risca, são: manter o ambiente doméstico sempre limpo e ter acompanhamento periódico de um profissional especializado. Otorrinolaringologista, alergologista ou dermatologista são os mais indicados.

Com a palavra...

A são-bernardense Thais Godoi Anesi, 26, enfrenta problemas por conta de sua rinite alérgica. Precisou encontrar alternativas para manter a casa sempre higienizada. “Não posso nem pensar em limpar o chão com vassoura. Para deixar o ambiente arejado deixo as janelas entreabertas.” Por conta do problema, Thais fez tratamento por três anos e as crises reduziram em 90%.

Brincar com bichinhos de estimação não é tão simples para a analista Luiza Boni, 23. Sua relação com os bichanos é restrita por causa de rinite alérgica aguda. “Para controlar as crises evito que minha cachorra suba na cama ou deite nas minhas cobertas.” Ela descobriu a alergia após se aproximar de um gato. “Meu rosto ficou deformado, os olhos incharam e a boca dobrou de tamanho”, relembra. Quem tem pets deve redobrar a limpeza.

A professora Lilian Crepaldi, 35, de São Caetano, já teve três choques anafiláticos, dois por ingestão de algum alimento e o outro causado por pólen. “Quando começo a inchar, corro para o hospital”, conta. A alergia de Lilian já causou problemas em evento importante para o Canadá. “Toronto estava repleta de flores. Comecei a inchar assim que pisei no hotel. Tomei remédio, mas fiquei inchada mesmo assim”, rememora. Plantas da Lilian? Só as artificiais!

 

Dicas

  • Todos os cômodos devem ser decorados sem exageros;
  • Não tenha em casa cortinas e sofás de tecido, almofadas e tapetes felpudos;
  • Opte por sofás de couro;
  • Substitua as cortinas por persianas com lâminas ou alumínio e até mesmo as do tipo tela solar. Outra dica são as persianas de aletas verticais;
  • No caso das pelúcias, opte por bichinhos que tenham tecido mais liso, fácil de limpar com frequência. Móvel ou nichos com vidro são ótimas opções para guardá-los;
  • Subsituta cobertas por edredons ou peças antialérgicas;
  • Proteja os travesseiros e colchões com capas hipoalergênicas e lave as peças periodicamente;
  • Deixe portas e janelas entreabertas para que o ar possa circular;
  • Não tenha prateleiras em cima da cama;
  • A cama do tipo voz é mais indicada;
  • Opte por cabeceiras, painéis e armários feitos com materiais lisos como MDF ou revestidos de fórmica;
  • Os armários devem encostar no teto, pois dessa forma a sujeira não se acumula;
  • Os tapetes só estão liberados se forem antialérgicos ou de material emborrachado;
  • No quarto das crianças escolha tapetes de PVC;
  • O ideal é que os pisos sejam laminados, porcelanatos ou vinílicos;
  • Para limpar o local utilize soluções aquosas com vinagre. Evite desinfetantes com odor intenso e anti-sépticos;
  • Prefira o aspirador ao invés da vassoura. Use panos umedecidos para higienizar o chão;
  • Óleos essenciais e fragrâncias podem ajudar;
  • Quem tem animais de estimação deve redobrar a limpeza e ensiná-los a não subir na cama.
  • Busque acompanhamento periódico de um profissional especializado. Otorrinolaringologista, alergologista ou dermatologista são os mais indicados.



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