Adeus de um mestre

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Vinícius Castelli<br>Do Diário do Grande ABC

 Dono de muitas piadas e personagens, e também de um rosto caricato e risada inocente, atrapalhada até, que por décadas fez multidões rirem, o ator e diretor norte-americano Jerry Lewis deixou, na manhã de ontem, pela primeira vez, o mundo triste. O artista morreu aos 91 anos, em casa, em Las Vegas, de causas naturais, segundo comunicado da família.
O comediante passou por problemas de saúde ao longo dos anos. Teve de fazer cirurgia no coração em 1983. Lutou contra doença respiratória, sofreu um ataque cardíaco em 2006 e, neste ano, teve infecção urinária.
Conhecido carinhosamente como O Rei da Comédia, Lewis foi um dos comediantes mais famosos da história do cinema. A luz do sucesso brilhou para ele nos anos 1950, a partir da parceria milionária com o ator e cantor Dean Martin. Juntos, estrelaram 16 filmes. Entre eles estão Morrendo de Medo (1953), O Meninão (1955) e O Rei do Laço (1956). Tiveram também programa na TV, o The Colgate Comedy Hour, regado a muito improviso. Após dez anos, os dois romperam a amizade e somente voltaram a se falar duas décadas depois. Martin morreu em 1995.
Na carreira solo, Lewis fez filmes como O Professor Aloprado (1963), um de seus clássicos. Na obra, ele atua em mais de um papel e assina a direção. Outro título conhecido é o Cinderelo Sem Sapato (1960).
O artista atuou também ao lado de Robert de Niro em O Rei da Comédia (1983), obra de Martin Scorcese. O último trabalho foi em Max Rose, lançado no ano passado e divulgado em 2013 no Festival de Cannes. O longa marcou a volta de Lewis aos cinemas após Rir É Viver, de 1995. Foram mais de 45 filmes ao longo da história.
Em 2013, o astro contracenou com comediantes brasileiros no longa-metragem brasileiro Até Que a Sorte Nos Separe 2 .
Para o ator e diretor de teatro de São Caetano Erike Busoni, Lewis segue na linha de Charles Chaplin, do corporal. “Adorava assistí-lo nos anos 1980. Quando você fala de artes cênicas, é sempre algo coletivo, e pessoas como ele e Chaplin conseguiam transformar o coletivo em solo. Faziam de tudo. Para minha carreira, pesquisava como ele conseguia se transformar, mudar a atuação em segundos. Na mesma cena ele fazia dois personagens.”
Dono de duas estrelas na Calçada da Fama, em Hollywood, além do cinema, Lewis também contribuiu com diversas causas humanitárias, o que lhe rendeu um Oscar. Foi apresentador por muitas décadas do Teleton anual da Associação de Distrofia Muscular.

Ator fez filme com brasileiros recentemente

Em 2013, o astro norte-americano Jerry Lewis, à época com 87 anos, estrelou no longa-metragem brasileiro Até Que a Sorte Nos Separe 2. O filme, com direção assinada por Roberto Santucci, foi gravado no Rio de Janeiro e em Las Vegas, nos Estados Unidos, e ganhou as telas em dezembro do mesmo ano.
Estrelada também por Leandro Hassum, Camila Morgado e Kiko Mascarenhas, a comédia conta a história de Tino, que passa mais uma vez por problemas de ordem financeira e, para receber herança de R$ 100 milhões deixada por seu tio Olavinho, deve jogar as cinzas do parente no Grand Canyon, nos Estados Unidos.
Lewis, na obra, vive o mensageiro de um hotel-cassino e presta homenagem a um velho personagem seu do filme O Mensageiro Trapalhão (1960).
À época, o norte-americano disse ser um personagem que ele adora e que ama fazer. “Era divertido em 1960 e é divertido agora. Com 87 anos você não faz grandes planos. Você apenas vive. Eu vivo um momento maravilhoso. Meu trabalho não é exatamente um trabalho, é diversão”, disse.
No mesmo período Hassum afirmou que o momento das gravações com Lewis foi o dia mais importante de sua carreira.




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