Elvis, o eterno 'Rei do Rock'

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Vinícius Castelli

Topete, calça apertada, voz marcante e o rebolado característico, algo que chocou muita gente nos anos 1950. A juventude do mundo encontrava no rock de Elvis Presley – e nele próprio – uma inspiração, uma forma de libertação. O artista deixou de cantar na tarde de 16 de agosto de 1977. Morreu aos 42 anos, vítima de ataque cardíaco (se estivesse vivo, teria 82). Seu corpo foi encontrado no banheiro de Graceland, em Memphis, Estados Unidos. Figura que marcou várias gerações, mudou a história da música para sempre. Seu nome e legado seguem fortes ainda hoje, dia que marca quatro décadas de sua morte. Registrou mais de 60 discos e sua música, plural, tinha receitas de blues, gospel e country.

Além de discos preciosos como o que leva seu nome, de 1956, deu o que falar em faixas como Blue Suede Shoes. Ricardo Martins, o Rick, 58 anos, dono de loja Rick And Roll Discos, em São Caetano, é uma das pessoas fisgadas pela obra do artista. “Minha admiração por Elvis se expandiu no início dos anos 1980, quando ouvi pela primeira vez o álbum Sun Records, que me conectou ao rockabilly e me fez compreender o lado, até então, ‘oculto’ da sua obra”, diz. Para Rick, o cantor mostrou tudo o que havia ‘de certo e errado’. Segundo ele, a presença cênica do cantor no palco foi um ponto de mutação para as futuras gerações de popstars.

A paixão é tanta que Rick tem tatuado o automóvel Cadillac cor-de-rosa que Elvis tinha. Na sua coleção lista um LP chamado Greatest Shit!!.“É uma coletânea das suas falhas no palco, entre outras grosserias. Na capa, o artista aparece morto no caixão. O disco ainda traz cópia do receituário médico de George Nichopolous, datado de 15 de agosto de 1977, um dia antes de sua morte, e a relação de todos os remédios que ele fazia uso.”

Especialista em Elvis Presley, o pianista e dentista de Mogi Mirim radicado em São Paulo Mauricio Camargo Brito, autor do livro Elvis, Mito & Realidade – já em sua quinta edição e que pode ser encomendado pelo e-mail mauriciocamargobrito@hotmail.com – tem na memória algo especial. Ele assistiu a um show do <CF51>Rei do Rock em 1976, em São Francisco, nove meses antes da morte de Elvis. Pagou US$ 12,50 pelo bilhete. Já havia tentado ver seu ídolo antes, em 1974, em Las Vegas, mas não deu certo.

Dois anos depois o brasileiro – que gravou com outros dois fãs de Elvis, Raul Seixas e Jerry Adriani – era um entre os 14,3 mil na plateia. “Eu estava ali. Não era sonho. Os metais da orquestra soprando as primeiras notas do imponente Also Sprach Zarathustra, do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, que qualquer fã de Elvis sabia de antemão ser prenúncio de sua triunfal entrada”, recorda-se. Ele conta que bastou a primeira sílaba saltar da boca do cantor para o Cow Palace tremer e a histeria tomar conta de todos. Na ocasião, não ficaram de fora temas como I Got A Woman e Love Me.

E isso não é tudo. O brasileiro, antes do espetáculo, conseguiu ver a passagem de som da orquestra que acompanhou Elvis na ocasião. Disse ser do Brasil e que estava ali pois escreveria um livro a respeito do artista. “Toquei no piano deles e comprei a guitarra do guitarrista deles, uma Fender Telecaster. Paguei US$ 300”, diz ele, que hoje não tem mais o instrumento. Não bastasse, nos anos 1990 o baterista que tocou com Elvis D.J Fontana, em viagem ao Brasil, foi à casa de Brito. “Ele me contou muitas histórias e muitos fatos desconhecidos”, admite.

E se Brito não viu o show de 1974, em Las Vegas, a paulistana Ana Beatriz da Costa Gomes Tattini, 68, conseguiu. Estava a passeio, com parentes e alguns amigos. Sem querer, sua irmã perguntou qual show teria na cidade e souberam que Elvis se apresentaria no Hilton Hotel, em espetáculo com jantar. “Foi inesquecível”, diz emocionada. Pagou US$ 100. “Se fecho os olhos hoje, me lembro perfeitamente daquela noite. Ele usava uma roupa branca, tinha o cabelo bem preto e a voz maravilhosa. Parecia um boneco”, diz. Ana conta ainda que a plateia gritava tanto que Elvis teve trabalho para se escutar. “Agora quero ir à casa dele, Graceland, sentir o ambiente”, revela.

O compositor e violonista João Suplicy é outro apaixonado pela obra de Elvis. Tanto que fez um disco com canções do artista em versão bossa nova. Para João, uma das coisas mais importantes que Elvis fez foi trazer muito da música negra “para um mundo que era totalmente dominado pelos brancos. A coisa era muito segregada naquela época e Elvis ajudou a quebrar isso. Acho que ia acabar acontecendo em algum momento, de qualquer forma, mas foi ele quem chegou arrombando a porta”, afirma.


São Bernardo é a cidade que mais ouve Elvis na Deezer

A plataforma de streaming de músicas Deezer, segundo pesquisa realizada em sua base de dados, descobriu que São Bernardo é a cidade brasileira que mais consome a obra de Elvis Presley, além de estar na 16ª colocação no ranking mundial. O top três de músicas mais ouvidas pelos usuários da plataforma são Jailhouse Break, Suspicious Minds e Always on My Mind. O perfil do cantor conta com mais de 1,8 milhão de fãs. Há playlist especial pelos 40 anos da sua morte.

Shows celebram obra e lembram morte do músico
Para celebrar a obra de Elvis Presley e os 40 anos de sua morte, o cover Ronnie Packer, de Santo André, toma conta do Teatro Municipal da cidade (Praça 4º Centenário. Tel.: 4433-0786) no sábado, às 20h30. As entradas custam R$ 70 e podem ser compradas nas bilheterias do espaço. No mesmo dia, um pouco mais cedo, a partir das 15h, a loja Rick And Roll Discos (Rua Manoel Coelho, 585), em São Caetano, apresenta show do cantor cover Dan Rocker. A entrada é gratuita.

Casa onde cantor morou e morreu pode ser visitada
A mansão em Memphis, Estados Unidos, onde viveu e morreu Elvis Presley pode ser visitada. É possível ver a sala de estar, quarto, cozinha, sala de TV, sala de bilhar e jardim de meditação. As entradas custam, em média, R$ 270. Há passeios como o Memphis de Elvis Presley (R$ 460), em que dá para ver os discos de ouro, automóveis e diversos outros itens do cantor (mais no site www.graceland.com).




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