Plural e muito maduro

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Vinícius Castelli

Nos últimos oito anos João Suplicy embarcou, ao lado do irmão Supla, no projeto Brothers of Brazil. Sua carreira solo, no entanto, ficou maturando, quieta, esperando pelo momento certo da retomada. Agora, pouco mais de uma década de seu último disco – com releituras de Elvis Presley – e 12 anos do último trabalho de inéditas, o artista assume mais uma vez o controle do leme de sua vida artística e apresenta João (R$ 24,90, em média).

O novo trabalho, feito de forma independente, ganha vida ilustrado por 14 canções, resultado de trabalho que foi produzido e guardado no intervalo da última década. Porém, as recentes ganharam mais espaço, segundo João. “O que é natural, pois estava mais próximo delas”, diz o artista ao Diário do Grande ABC.

A mistura sonora é evidente. João conta que essa receita é resultado de tudo o que ele é. “Tem blues no meu baião, rock na minha bossa. Já faço música há mais de 30 anos e, portanto, tive tempo de criar intimidade com várias linguagens musicais que me interessavam e também de experimentar várias formas de elas se relacionarem.”

Fato é que o resultado final é muito positivo, plural e livre de preconceitos. Tudo se encaixa, como nas faixas Magia e Sedução e Sede Que Dá. Para João, que também assina a produção do trabalho, é bom ter uma linha, um conceito na hora de criar um álbum. Mas isso, segundo ele, não quer dizer que tenha que se prender a apenas um ritmo ou gênero musical. “A linha também pode estar na personalidade do artista, mesmo que essa não seja simples de ser decifrada.”

O disco conta com parcerias especiais. Entre os nomes está Zeca Baleiro, em Um Abraço e Um Olhar, faixa que atenta para o abuso da internet e diz que muitas vezes deixamos as relações presenciais de lado. Em Dicionário do Amor João queria voz feminina para lançar a canção no Dia dos Namorados e “Marina de La Riva foi perfeita. A música até acabou entrando na novela Carinha de Anjo, do SBT.”

Na obra, João vai além do violão e assume quase todos os instrumentos. “Eu simplesmente sabia o que queria que os instrumentos fizessem e tinha a técnica necessária para executar. Já na parte dos percussivos, ou sopros, chamei músicos específicos.”

Apesar de mais de 300 shows no País e no Exterior, ao lado do irmão, e de toda a experiência adquirida com o Brothers, João sentiu falta da carreira solo. “Foi boa a sensação de chamar toda a responsabilidade para si mesmo”, diz ele, que se sente muito mais confiante hoje em dia do que há dez anos.




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