A força do ser

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Miriam Gimenes

Os próximos capítulos da novela das 21h, A Força do Querer, da Globo, serão decisivos para Ivana (Carol Duarte). A moça, que não sabia por que refutava o corpo que ‘habita’, agora tomou consciência de que é transexual e começa, aos poucos, sua metamorfose. No capítulo de ontem, por exemplo, disse para a prima Simone (Juliana Paiva) que pensa em tomar hormônios.

Carol Duarte, 26 anos, que nasceu em São Paulo, mas cresceu em São Bernardo – começou inclusive a fazer teatro no município e lembra com carinho da região – diz ao Diário do Grande ABC que é normal a personagem titubear neste momento de transição, inclusive pelo tratamento dispensado pela sociedade para casos como o de Ivana.

“É difícil falar de processo tão íntimo, cada um tem o seu, e está inserido num contexto social, econômico, familiar. Não dá para generalizar qualificando o quão difícil é se entender trans. São muitos os fatores que influenciam, mas se pensarmos que o Brasil é o País que mais mata travestis e transsexuais temos noção do preconceito e da violência os quais essas pessoas estão submetidas.” Na semana passada, a personagem saiu de casa a primeira vez vestida de homem e foi hostilizada.

Segundo ela, até mesmo pelo laboratório que fez para compor a personagem – cita filmes como Meninos Não Choram e Tomboy, como exemplos –, o respeito e apoio da família são cruciais. “O que vemos é que a sociedade marginaliza nas escolas e faculdades. Muitas vezes, uma pessoa trans sofre preconceito e violência que decorrem da ignorância e despreparo das instituições para lidar com o tema. São felizes os casos em que a família apoiou, principalmente, no que diz respeito ao futuro do trans.” O mesmo não deve acontecer com Ivana, já que a mãe, Joyce (Maria Fernanda Candido), sempre quis transformá-la em uma boneca sem se preocupar com o que passava de verdade com a garota.

Carol se diz grata em estrear em novelas com uma personagem tão importante – a artista veio do teatro, de peças como A Visita da Velha Senhora e As Siamesas – Talvez eu Desmaie no Front – não só para a história como também para uma mudança de consciência. “Gloria Perez é uma autora corajosa e inteligente. Fico muito feliz e honrada de estar fazendo a Ivana, porque acredito que ela possa ser uma porta de diálogo dentro da casa das pessoas. Que ela seja uma faísca para que respeitem e busquem mais informação sobre a transexualidade. E que a Ivana possa construir para a luta contra a transfobia”, pede.

A atriz ressalta ainda que, frequentemente, é abordada pelo público. A maioria torce pela felicidade genuína da personagem que, uma vez fora do casulo, mostra a importância do ser diante da importância do querer. Não dá, definitivamente, para fugir da essência.




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