A César o que é de César

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Miriam Gimenes

Em ‘Planeta dos Macacos: A Guerra’, que estreia hoje nos cinemas, primatas lutam para sobreviver

Não foi ele quem começou a guerra. Mas César (Andy Serkis), uma vez líder dos primatas, tem de se organizar a fim de que os seus sobrevivam. E é com este recado dele que tem início o filme Planeta dos Macacos: A Guerra, com estreia hoje nos cinemas (confira na página 3 as salas da região).

No terceiro filme da trilogia – Planeta dos Macacos: A Origem (2011) e Planeta dos Macacos: O Confronto (2014) –, os dois últimos dirigidos por Matt Reeves, César entra em confronto com os humanos, liderados pelo coronel McCullough (Woody Harrelson) que tem ares de Hitler, e vê muitos macacos, inclusive sua mulher e filho, saírem sem vida do embate.

Enquanto no primeiro filme ele tinha uma relação, ainda que de início, amigável com os humanos – algo que não aconteceu no segundo, cheio de ação –, neste ele é tomado pelo ódio. César, até por conta da exímia atuação do ator Serkis, está quase igual aos homens, ainda que não perceba. As frases soam naturais, o que não acontece com os outros macacos.

Ele pede, portanto, que os demais primatas fujam e decide seguir sozinho rumo ao acampamento dos soldados a fim de exterminar o sanguinário coronel. Além de lidar com os inimigos, César também tem de combater o fantasma de Koga, macaco que o traiu e, mesmo morto, atormenta sua consciência.

O que está em jogo, mais do que a luta pela sobrevivência, é o futuro das espécies. César, portanto, sai para vingar os seus – mas alguns amigos não o deixam ir sozinho – e encontra uma garota sozinha e muda no meio do caminho, o que dá a ideia de que ela foi infectada pelo vírus espalhado no primeiro filme da trilogia. Ainda que contra vontade, a acolhe e, ao chegar no destino, toma uma quase fatal rasteira: os soldados conseguem prender todos os macacos.

É neste momento que ele dá a certeza de que está mais próximo dos humanos do que imagina: ainda que seja capturado e tome o conhecimento da razão pela qual o coronel sente tanta raiva dos primatas – teve de dar o tiro de misericórdia em seu filho pequeno, que estava infectado com o vírus, para que não passasse para os demais – em vez de usar a força, prima pela inteligência para encontrar, enfim, a saída para este conflito. “O filme se trata da importância da empatia. Não há bonzinhos ou malvados. Todos têm seus motivos e você consegue entendê-los. Tanto que, no momento final, em que César olha nos olhos de seu inimigo, ele consegue achar novamente sua empatia”, disse Serkis em coletiva de imprensa feita anteontem em São Paulo.

E aí fica a questão levantada inicialmente por César: de quem é a culpa da guerra? Dos humanos, que usaram os macacos de cobaias para testes científicos e ‘criaram monstros’, ou dos primatas, que quiseram, no início da trilogia, tomar o planeta para eles? Assista e tire suas conclusões.  




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