Em obras

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Miriam Gimenes

 As fileiras A e B do Teatro Cacilda Becker, em São Bernardo, existem hoje apenas no mapa de assentos pregado ao lado da bilheteria do local. A chamada ‘fila do gargarejo’ será agora a C, já que as duas primeiras foram avariadas pelas enchentes que judiaram do teatro, principalmente nos últimos anos.

Construído no subsolo do Paço Municipal e inaugurado em 1969, o espaço cultural, que não tem manifestações artísticas desde 2010, mesmo bem abalado, ainda resiste. Segundo o diretor de Cultura, Adalberto Guazelli, o local está passando por reformas a fim de que volte a funcionar em meados de agosto. “Isso não é teatro há muito tempo e queremos que volte a ser um. A ideia é reinaugurar para o aniversário da cidade e estamos correndo para isso”, promete.

E terão de correr mesmo. Quem tem a oportunidade de entrar no teatro se assusta com a situação, ainda que a reforma feita pela atual gestão já tenha começado. As paredes laterais da plateia, por exemplo, antes esburacadas, já estão rebocadas e pintadas. Só que o cheiro de mofo, talvez pelas águas que assolaram o local, inebria o ambiente.

E tem um agravante: de 2011 a 2012, o teatro abrigou a Câmara Municipal, já que o novo prédio do Legislativo estava em construção. Para tanto, foram feitas adaptações no teatro e o prédio foi entregue do jeito que ficou. Um ano depois, o prefeito à época Luiz Marinho (PT) prometeu reformar o espaço, mas a ideia não saiu do papel. “Com o abandono da administração passada (a situação) piorou. Estamos com o palco afundando, o teto despencando e precisamos tirar todo o forro de gesso que tinha”, enumera Guazelli.

E os problemas não param por aí. No início do ano, após nova enchente, foram verificar onde estava a bomba que fica no subsolo do teatro e acionava automaticamente, retirando a água de chuva quando ela chegava ao limite, e constataram que não estava mais lá. Havia sumido. “Saímos correndo atrás de uma bomba e foi o que salvou o resto das fileiras.” Hoje, o espaço comporta 350 pessoas.

Com toda a adaptação feita para abrigar a Câmara, a parte elétrica do teatro ficou escondida embaixo do forro do palco e do gesso do teto, o que acabou por deteriorar os fios. No dia em que o Diário visitou o espaço, os técnicos estavam verificando o que dava para salvar. E com a falta da bomba os fios por baixo do tablado ficaram cheios de barro.

Para não haver gastos, o que tiver de ser trocado no Cacilda será emprestado do Teatro Elis Regina, que espera verba federal para ser reformado. “Estamos aproveitando algumas coisas de lá. O que for ficar parado (enquanto não houver reforma) vamos trazer, fazer de dois (teatros) um”, explica o diretor. Entre as coisas emprestadas, estão dois espelhos, já que os dos camarins do Cacilda também não foram encontrados.

Uma vez reinaugurado o espaço, a ideia é também restaurar o palco original, por onde já passaram diversos espetáculos e artistas como Jessé e Belchior, estes aplaudidos de pé pelo próprio diretor. É esperar e torcer.




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