O grito dos inocentes

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Miriam Gimenes

 É impossível assistir a um filme que mostre a ocupação nazista na Europa em meados do século passado e não se perguntar: ‘Como foi possível o ser humano fazer tamanha maldade?’ Sim, porque a cada história contada é possível ver que Adolf Hitler (1889-1945) não só dizimou milhares de vidas de forma cruel. Com seus ideais fascistas ele destruiu também cidades, sonhos, amores e, principalmente, famílias.

O longa franco-canadense Os Meninos que Enganavam Nazistas, dirigido por Christian Duguay, que estreia quinta-feira na Capital, conta a história real da família judia Joffo, que vivia em Paris em 1941. Joseph Joffo, caçula de quatro irmãos – e que tinha apenas uma década de vida na ocasião – foi obrigado a ir embora de casa junto com o irmão Maurice, de 12 anos, para fugir da ocupação alemã. Falamos, portanto, de duas crianças.

A história é contada pelo próprio garoto – hoje um senhor de 86 anos que vive na mesma Paris – e mostra o sofrimento dele por não saber qual destino teria sua família, até então com uma vida tranquila: o pai era barbeiro e, a mãe, dona de casa. Mas o que chamou a atenção – agora do ponto de vista de uma mãe – foi a força que os pais fizeram para colocá-los em um trem e deixá-los irem sozinhos para o mundo, literalmente. Lembrando que o país estava prestes a virar um campo minado. Foi um esforço sobre-humano e uma situação desumana.

Mas tirá-los de lá era a única saída de salvá-los. Fizeram, portanto, os dois jurarem que jamais diriam que eram judeus. Os garotos tiveram de renegar não só a religião como também suas origens. “Deve olhar para frente e não virar para trás”, foi o conselho do pai na despedida.

E eles entenderam. Os garotos, que saíram de casa aparentemente desamparados, prometeram seguir juntos até o fim. “Levaria você até o fim do mundo se fosse preciso”, diz Maurice em uma das cenas mais emocionantes do filme, que acertou na receita de misturar a inocência infantil com a força da maturidade. E, juntos, os dois não só conseguiram driblar os ‘chucrutes’, como manter a promessa que fizeram aos pais. Mais do que um registro histórico, o filme mostra que um irmão, na verdade, não é apenas um laço de sangue, mas sim um amigo para toda vida.

O longa é baseado no best -seller homônimo que já vendeu mais de 20 milhões de exemplares no mundo e será lançado junto com o filme (Grupo Autêntica, 320 páginas, R$ 44,90, em média), no Brasil.




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