Herói em sua essência

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Luís Felipe Soares

Não é preciso ser muito velho para ter acompanhado as transformações do Homem-Aranha no cinema. Um dos heróis mais populares do mundo sempre se destacou nos quadrinhos e bastava que certa tecnologia em efeitos visuais existisse para que chegasse às telonas, o que ocorreu pela primeira vez em 2002. Os 15 anos passados ainda foram agitados o bastante para ver um novo projeto a partir de 2012. A Marvel Studios, responsável por comandar obras protagonizadas por outras de suas criações, casos de Homem de Ferro, Thor e Os Vingadores, finalmente participa de uma adaptação para mostrar o que a empresa é capaz de fazer com o universo de Peter Parker após conquistar know-how ao longo do tempo, emendando obras satisfatórias e ótimas bilheterias. independentemente das preferências do público, Homem-Aranha: De Volta a o Lar parece ser o filme certo para a atual geração.

Com tantos longas do aracnídeo, é preciso esclarecer a situação. Os direitos de explorar a marca do herói nos cinemas pertencem a Sony Pictures, que acertou tudo com uma Marvel em situação financeira capenga no fim da década de 1990. Reza a lenda que um filme com o personagem deve ser lançado a cada cinco anos. O novo longa-metragem marca parceria entre os dois estúdios, com decisões criativas tomadas pela Casa das Ideias e a Sony assinando as despesas e distribuição. O receio dos fãs pode parar: trata-se de mais um filho da Marvel – cujos melhores momentos foram revelados, sim, pelos trailers.

Ao contrário dos trabalhos anteriores, De Volta ao Lar não é um filme de origem. Não se explica como Peter (interpretado por Tom Holland, que esteve no Brasil em maio para promover a produção) ganhou seus poderes e como ele aprendeu a viver com a capacidade de dar saltos gigantescos e grudar nas paredes. Nada disso importa. A visão do diretor Jon Watts é como o jovem de 15 anos se encaixa nesse mundo agitado após o surgimentos dos super-heróis – incluindo com adolescentes discutindo quem é o melhor e o mais bonito – e de que forma isso não pode afetar seus desafios ‘reais’, como estudar para as provas e tentar ir ao baile da escola. Pronto para falar com os mais jovens, o enredo ganha corpo graças à força desse universo adolescente em destaque, deixando o ‘Cabeça de Teia’ mais humano e juvenil do que nunca.

Talvez essa última característica possa irritar o público mais ‘experiente’. Não que o antigo irá deixar a sala de cinema decepcionado ou com a sensação de que colocaram o herói no meio do universo de Malhação. Os tempos mudaram e o contexto está mais moderno do que nunca, porém com a essência do Homem-Aranha/Peter Parker sendo mantida e aberta a interpretações. Fica a cargo de cada espectador se mostrar pronto (ou não) para mudanças.

Um dos grandes destaques fica por conta da montagem do elenco. Holland encarna o personagem de maneira extremamente eficiente e muito bem orientado pelas cabeças pensantes do projeto, principalmente ao montar o alterego do herói de maneira introspectiva e explorando sua vontade de ser aceito pelo mundo, seja pela garota pela qual está apaixonado ou pelo ‘senhor’ Stark. Pelo lado dos vilões, Michael Keaton empresta seu estilo e talento clássico ao Abutre, motivado pelo jogo financeiro agitado após a batalha de Nova York no primeiro Vingadores. É um antagonista menor que cresce por meio de sua simplista e ‘real’ necessidade de ser ruim. Entre mudanças para o bem ou para o mal, o filme atinge o objetivo da influência do cineasta John Hughes neste trabalho de Watts: estar pronto para uma Sessão da Tarde moderna, mas com teias espalhadas no caminho.




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