Arte que somo

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Karine Manchini<br>Especial para o Diário

 “Atenção pessoal, vamos começar!”. É a partir desta frase que o silêncio toma conta da Concha Acústica, na Praça do Carmo, em Santo André. Reunidos no local em uma noite fria de inverno, cerca de 40 jovens conversavam e interagiam entre si. Mas no momento em que Pedro José Borelli, 22 anos, músico, produtor e organizador da reunião, dá início ao Sarau da Consciência, silêncio é sinônimo de respeito, ainda mais quando é para saborear a arte independente.
O motivo do encontro é simples: mais uma edição da união entre jovens artistas da região. O evento, criado em março de 2016, acontece fielmente toda terça-feira na cidade, a partir das 19h30. Com a intenção de juntar amigos para ‘trocar ideias’, o sarau foi ganhando força, e o que antes acontecia somente em lugares privados passou a tomar espaços públicos. As reuniões, vez ou outra, atraem cerca de 100 pessoas. Atualmente o evento marca presença na Praça do Carmo ou na Rua Coronel Oliveira Lima e conta com a participação de artistas de diversos gêneros. Malabaristas, mágicos, cantores, compositores, rappers e pessoas que simplesmente querem expressar seu sentimentos por meio de poesias e rimas podem ser encontradas. É possível se deparar também com grupos que disponibilizam livros usados para transeuntes do local.
“Nós não colocamos nenhuma regra ou parede, é tudo livre, inclusive o palco. Aqui não é só chegar, fazer algo e sair. Este sarau é diferente, tem espaço para a galera falar e se expressar. Arte vai além de música e dança, ela está em tudo que fazemos”, explica Borelli. Mesmo não buscando parceria com o poder público, o organizador acredita que seria importante conseguir apoio para expandir os encontros para outros pontos da região e criar mais formas de expressão, como galerias de arte móvel e oficinas.
A sintonia entre as pessoas que participam é tão grande que acaba gerando diversas amizades. Os malabaristas Caique Luz, 18 anos, e Cosmar Alves, 25, participam do evento desde o início e, após meses sem se verem, se encontraram por acaso na última terça. “O sarau me salvou. Um dia estava trabalhando em um farol aqui perto e quase fui atropelado por um motoqueiro que furou o sinal. Fiquei nervoso e quis desistir. Juntei minhas coisas e sai. Passei por aqui e estava acontecendo o sarau. Sentei e escutei tudo que precisava para não me entregar. Fui ao palco e cantei uma música que criei”, conta Alves, que desde então frequenta o sarau toda semana.




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