Exposição visa resgatar história de Ribeirão Pires

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Caroline Garcia<br>Do Diário OnLine

Visualizar quais eram seus hábitos e como os imigrantes viviam no início do século XX é a proposta da nova exposição, batizada de Casa Ribeirãopirense, que foi inaugurada no mês passado e ficará permanentemente locada no Museu de Ribeirão Pires.

São cerca de 1.000 objetos que têm o papel de contar a história dos povos que deixaram seus países de origem e escolheram o município do Grande ABC para morar, trabalhar e constituir família. “Esses imigrantes são basicamente os italianos, alemães, sírios, libaneses, e mais recentemente, os nordestinos na década de 1950”, explica Marcílio Duarte, diretor de Patrimônio Cultural da Ribeirão.

A exposição é dividida em dois: ambientes e tipologia. Na primeira parte é possível observar como seriam os cômodos das casas, como quarto, cozinha, escritório e sala. O destaque é para a máquina de escrever que foi usada originalmente para datilografar o hino da cidade por Américo Del Corto.

“Na sala de estar temos um piano de 1849, o objeto mais antigo da exposição, e a intenção é colocá-lo para funcionar, assim como a geladeira, que é de 1928 e foi a primeira fabricada pela General Eletric”, conta Duarte.

Pequenos objetos curiosos, como um cofre forte, bacia para toalete, aparador de cabelo, caixa do perfume francês Guerlain – que era considerado um presente caro e dado em épocas especiais – , talheres feitos de alpaca (liga metálica), porcelana pintada a mão com fios de ouro no qual é o possível observar uma gueixa no fundo das xícaras, panelas de ferro fundido e caixas de biscoitos completam a primeira parte da mostra.

Já na seção de tipologia, o acervo é dividido por áreas comuns como comércio, por exemplo. “Na época existiam os Secos e Molhados que vendiam absolutamente tudo. Temos a máquina registradora e a etiquetadora do primeiro supermercado da cidade do final do século XIX”, diz o diretor de Patrimônio Cultural.

Na sessão de atividades extrativistas, os destaque são para as olarias e as produções de telhas e tijolos. “Hoje sabemos que eram as mulheres que batiam tijolos porque com as mãos menores elas conseguiam encaixar certinho nos espaços da fôrma para fazer o molde bem feito”, explica Fernando Ripoli, historiador e responsável pela área de educação patrimonial da cidade.

A máquina de costura de quase 80 anos é a “menina dos olhos” da área dedicada a oficina doméstica, que conta ainda com diversos ferros de passar e ferramentas de ferreiro e carpinteiro. “A profissão, na época dos imigrantes era passada de geração em geração e a de costureira era uma das mais populares”, fala Duarte.

O número de visitantes no museu saltou de 15 mil no ano passado para 50 mil visitantes no primeiro semestre deste ano, segundo Duarte. “Isso é explicado em parte pelo maior interesse da população devido a uma divulgação ampla da Prefeitura e a também à reestruturação do espaço, cujo papel é a contar a história da cidade.”

A entrada para a exposição Casa Ribeirãopirense no Museu de Ribeirão Pires é gratuita e a visitação pode ser feita de terça a sexta, das 8h às 17h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h.




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