Erudito bem de perto

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Marcela Munhoz

Todo mundo diz, mas não é demais repetir: a música transpõe barreiras, mexe com a nossa memória afetiva, conforta, emociona, transporta para outro mundo. Cada ritmo tem suas características e todos têm seu próprio alcance dentro do coração das pessoas. Embora não seja tão popular, a música clássica é poderosíssima, além de ter baita história. Seus músicos e compositores deixaram legados e grandes admiradores. A fim de traduzir um pouco desta grandiosidade as orquestras têm abraçado a ideia de aproximar a música erudita do público. Hoje e amanhã os moradores da região foram contemplados com oportunidades imperdíveis.

Hoje, às 20h, a Ossa (Orquestra Sinfônica de Santo André) estará no Teatro Municipal Antônio Houaiss. Eles apresentam a sinfonia n. 2, opus 36, de Beethoven e, como obra vencedora de enquete feita com o público, a La Gazza Ladra, de Rossini. “O resultado da pesquisa mostra que as pessoas querem conhecer compositores, têm o interesse de ouvir coisas que não ouviram ainda”, explica a maestrina-assistente Natália Larangeira. Ela estará à frente dos concertos do fim de semana – a Ossa se apresenta também amanhã, às 16h, no Cesa Vila Floresta. A entrada é gratuita, mas pede-se agasalhos para doação.

Outra particularidade das apresentações da temporada 2017 da sinfônica andreense é o destaque para solistas. Quem conferir os próximos espetáculos verá a performance do trombonista Jaaziel Gomes Narciso com concerto de Nikolai Rimsky-Korsakov. “É um modo de agradecer pela dedicação e forma de mostrar o talento deles. O Jaaziel veio de comunidade, estuda desde cedo, tocou com várias orquestras, mas nunca tinha feito um solo”, ressalta Larangeira, que acha muito importante a aproximação dos músicos com os espectadores. “O principal é ter o coração aberto e se propor a viver novas experiências, conhecer novos sentimentos. Do outro lado, a orquestra se sente mais viva também, nos emocionamos muito.”

DA CAPITAL
Amanhã Santo André também vai receber a presença da Orquestra Sinfônica da USP, às 12h, no Sesc pelo projeto Cameratas. O compositor escolhido para ser homenageado é Antonio Vivaldi, que compôs 770 obras, entre as quais 477 concertos e 46 óperas. O espetáculo tem como principal atração os famosos concertos da série As Quatro Estações que, quando foram publicados, em 1725, traziam em seus programas quatro sonetos ilustrativos, de autoria desconhecida, sobre cada composição. Especula-se que esses poemas foram escritos pelo próprio compositor. “Vivaldi é ainda nos dias de hoje um dos compositores mais executados no mundo”, explica Lucia Carames Sartorelli, diretora da Osusp (Orquestra da Universidade de São Paulo).

Quem for ao concerto também vai saber mais sobre o compositor. “Dividir com o público o contexto histórico, as peculiaridades da escrita e as dificuldades na execução de determinada obra tem aproximado o público da música clássica, que sai do concerto não só com a experiência de ouvir, mas de refletir sobre o que acaba de vivenciar. No Sesc, os concertos acontecem aos domingos e, desde nossa primeira apresentação, em março, o público só cresceu”, garante.

>Música clássica na região – Concertos. Ossa: hoje, às 20h, no Teatro Municipal Antônio Houaiss (Praça 4º Centenário); amanhã, às 16h, no Cesa Vila Floresta (Rua Parintins, 344). Grátis. Osusp: Amanhã, às 12h, no Sesc Santo André (Rua Tamarutaca, 302). Ingr.: R$ 8,50 e R$ 17 (www.sescsp.org.br/santoandre).




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