Fomentando as artes plásticas

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Vinícius Castelli

 Quando surgiu, há quatro anos, a Oma Galeria, em São Bernardo, tinha dois objetivos principais: trabalhar com jovens artistas e recolocar a região no circuito das artes visuais. Ambos muito bem cumpridos. Tanto que o espaço tem em seu cast artistas como Giovani Caramello e Andrey Rossi, novos talentos que agora vão expor em Roma e fazer residência na Alemanha. No total são oito artistas representados pela galeria. Nario Barbosa, fotógrafo do Diário, também faz parte da lista.

Agora, para celebrar o aniversário, o espaço (Rua Carlos Gomes, 69) apresenta algumas novidades. Uma delas é a mostra Viagem ao Boulevard Cor de Café, ilustrada por obras da artista paulistana Katia Fiera, que pode ser vista a partir de sexta-feira, às 19h, até 5 de agosto. A entrada é gratuita.

No total, a artista plástica traz para a região oito peças criadas durante residência feita de agosto de 2015 até fevereiro de 2016 no ateliê da Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), na Cité Internationale des Arts de Paris, na França. A inspiração de Katia foi o livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, do pintor francês Jean Baptiste Debret (1768-1848), que retratou a situação dos escravos nas ruas do Rio de Janeiro à época. “Agora, 200 anos depois, eu fiz o caminho inverso. Fui à Paris ver a situação dos imigrantes e o que encontrei é que eles vivem em guetos. Descobri que existe um quarteirão africano. Os cafés das esquinas de Paris são para turistas, não para eles”, diz Katia.

O resultado de seu trabalho explora o olhar sobre as diversas identidades e miscigenações da cidade. A exposição da intimidade, a arquitetura e diversos aspectos sociais são apresentados nas obras. Suas peças – todas à venda – são feitas de forma espontânea, sem rascunho. Únicas. “Meu processo de trabalho é direto. Não existe erro. Não acredito nisso”, explica.

Além da exposição, a Oma investe agora em mudança na estrutura física. Segundo Thomaz Pacheco, galerista do local, a sugestão é transformar a frente da galeria em uma espécie de praça. “Estamos tirando o muro e vamos colocar um banco. Não queremos barreiras físicas. A ideia é quebrar os tabus com as galerias de arte, de as pessoas acharem que não podem frequentar. É um espaço para todos”, explica.

Ao longo dos anos a Oma realizou mais de 40 exposições e apresentou mais de 70 artistas. Entre seus projetos, promove todo último sábado de cada mês evento gratuito para discutir a arte contemporânea com críticos, colecionadores e artistas. “A ideia é que vejam a galeria como polo fomentador da arte”, afirma Pacheco. Ele conta ainda que a Oma recebe estudantes de escolas públicas e particulares, desde pré-alfabetizados a pós-graduados, gratuitamente, para explicar sobre o universo das artes plásticas.

Outro projeto que a Oma mantém é o Clube de Colecionadores. O interessado paga R$ 200 por mês durante o ano e recebe cinco obras exclusivas. “É também uma forma de fazer com que pessoas que não entendam de arte deem seus primeiros passos. Tanto que a entrega não é fria. O colecionador vem até aqui galeria) e o próprio artista entrega a peça, fala sobre ela, sobre a produção, o conceito”, encerra Pacheco.




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