Poesia instrumental

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Vinícius Castelli<br>Do Diário do Grande ABC

 As notas são delicadas quando necessário e dramáticas também. A harmonia dá vida às poesias de cada composição do álbum. É com maestria que o bandolinista Hamilton de Holanda mergulha no cancioneiro de Milton Nascimento e o homenageia com o disco instrumental Casa de Bituca (Biscoito Fino, R$ 42,90, em média).
Ilustrado por 11 composições, o disco traz à tona sentimentos de canções como Bola de Meia, Bola de Gude e Ponta de Areia. Estão lá temas de Milton com nomes como Fernando Brant, Lô Borges e Marcio Borges. Não ficam de fora Clube da Esquina nº2, Maria Três Fihos e Vera Cruz. E tudo de forma desafiadora, apenas com instrumentos musicais. O pacote tem ainda DVD com a banda tocando todas as faixas.
“Fazer um trabalho que é muito conhecido é difícil. Um trabalho de música cantada que tenha poesia, e transformar em música instrumental é outra dificuldade. E manter a obra do Milton intacta, sem copiar e tentando dar uma visão particular ao mesmo tempo”, explica. Mas, segundo ele, o grande desafio mesmo é manter o sentimento original das canções e da poesia. “‘Encontrar por meio do som imagens que remetam à poesia”, diz.”
Na empreitada, gravada em apenas dois dias, Hamilton é acompanhado pelo time de sempre – com quem comemora dez anos de parceria –, formado por André Vasconcellos (contrabaixo), Daniel Santiago (violão, voz e arranjos), Gabriel Grossi (harmônica) e Marcio Bahia (bateria). Hamilton conta que um dos motivos de ter gravado o álbum rápido é o entrosamento com os parceiros. “Preparamos os arranjos antes de entrar no estúdio.”
Das 11 faixas do disco, Mar de Diferença é assinada por Hamilton, e duas têm voz. Uma delas, Bicho Homem, tem participação do próprio homenageado, o que foi motivo de máxima felicidade para o bandolinista. Já Travessia tem Alcione. “Ela é a representação do cantor popular brasileiro. Ela tem essa voz que emociona a gente, parece que está conversando com a gente quando está cantando.”
Um dos destaques é Canção da América, uma das faixas mais emblemáticas de Milton. Hamilton conta que é realmente uma tarefa difícil deixar uma música como essa em versão instrumental.“É o grande desafio. Ainda mais sendo uma música muito conhecida. Manter o sentimento do abraço e do acolhimento”, afirma.
Não é a primeira vez que Hamilton relê obra de nomes preciosos da música brasileira. Em 2016 ele lançou de forma instrumental apanhado do cancioneiro de Chico Buarque. Pixinguinha é outro que não passou em branco. “A música brasileira tem pilares, tem compositores que a gente não pode deixar de tocar”, diz. “Esse CD do Milton não é o primeiro nem será o último. Devo fazer outras homenagens. Além de compositor sou intérprete. Gosto demais de tocar obras desses compositores tão maravilhosos.”




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