Cinema para todos

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Miriam Gimenes

A estudante Joyce Rodrigues de Souza, 13 anos, quer unir o útil ao agradável. É que ela, moradora do bairro Eldorado, em Diadema, tem o sonho de ser veterinária, mas nunca conseguiu assistir ao filme, lançado em agosto do ano passado, Pets – A Vida Secreta dos Bichos. Para sua alegria, o longa norte-americano será exibido hoje, às 14h30, no Cine Eldorado (Rua Frei Ambrósio de Oliveira Luz, 55), em Diadema. E o melhor: é gratuito.

Essa é uma das razões que fazem Joyce sair, semanalmente, de casa, junto com o irmão, Adriano Rodrigues Siqueira, 5, rumo ao Centro Cultural, onde fica a sala de cinema, que funciona de quinta a domingo – com duas ou três sessões diárias – e comporta até 130 pessoas. “Quando mudei para cá minha mãe ficou sabendo que era gratuito e mandou eu trazer ele (irmão) aqui. Assistimos ao Procurando Dory e adoramos. Não deixamos de vir uma semana.” E não é só ela. Desde que o Cine Eldorado foi criado, em julho de 2008, milhares de moradores do bairro – que já foi ponto turístico e atraía pela possibilidade de se divertir nas águas da Represa Billings, mas hoje é bastante carente – frequentam o local. Já teve até casal que se conheceu lá e está casado.

Segundo o coordenador do espaço, Diaullas Ullysses, nos primeiros meses chegaram a passar pela sala de cinema, mensalmente, 45 mil pessoas. “Era muita procura. Para ter uma ideia, inauguramos com o filme Ratatouille e, três meses depois, as pessoas continuavam pedindo para passá-lo. Foi um absoluto sucesso”, lembra. Com o passar dos anos, a frequência caiu um pouco, até por conta do fácil acesso hoje a filmes tanto pelos canais de streaming ou YouTube, mas sempre tem ‘cinéfilos’ na bilheteria, inclusive aos fins de semana, quando costumam lotar as sessões.

Sob o formato de cineclube, que tem como objetivo discutir e refletir sobre o cinema, Diaullas disse que a programação sempre foi democrática: 50% são de filmes pedidos pela comunidade e, o restante, indicado pela coordenação. “Sentimos que o trabalho estava surtindo efeito quando trouxemos, por iniciativa nossa, animação francesa chamada Kiriku e a Feiticeira, que fala sobre lenda africana. Dois meses depois as crianças começaram a pedir o filme, porque notaram que existe algo além da Disney e Pixar. Percebemos, com isso, que essa comunidade, como todas as outras, só precisa do acesso.” E completa: “Às vezes, a pessoa não tem dinheiro para pegar um ônibus, como vai pagar um cinema no shopping? É maravilhoso, tem todo seu glamour, mas não tem condições. Temos de nos dedicar para proporcionar este acesso.”

Entre os projetos para o espaço, prestes a completar nove anos, está a reforma estrutural no segundo semestre – o que não impedirá o funcionamento –, cursos de projeção e a implementação de filmes em 3D.  




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