Uma noite no castelo

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Miriam Gimenes

 Quando se pensa em castelo, a primeira coisa que vem à mente é a suntuosidade da edificação e tudo ao que ela é atrelado ( leia-se a pomposa monarquia e toda a corte). O que poucos se lembram, no entanto, é que esse tipo de construção, muito comum na Idade Média, era feita com o intuito de servir de refúgio ao rei e aos seus – por conta das inúmeras guerras – e, por isso, abrigava setores obscuros, entre eles prisões, locais para tortura, sala de munições e passagens secretas.

E foi com o foco nestes ‘setores sinistros’ que o violinista e secretário de Cultura de Ribeirão Pires, Robson Miguel, recebeu em seu castelo – que fica no bairro Quarta Divisão, em Ribeirão, e completa 18 anos em agosto –, integrantes do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

O evento, denominado Uma Noite no Castelo, foi organizado pelo escritor e coordenador do grupo Sérgio Simka, e teve o intuito não só de confraternizar, mas também de inspirar contos ‘mal-assombrados’. “Nós vamos reunir o antes, o durante e o depois dessa experiência e transformar em uma antologia”, diz Simka.

Com a frase ‘sigam-me os maus’, o secretário deu início ao tour em sua residência de 2.056 m² de área, construída em cinco anos. Durante quase duas horas, mostrou as peculiaridades de cada ‘cômodo’.

A começar pelo salão nobre, onde o destaque vai para um piano, arrematado em leilão, que ficava no Castelo de Neuschwanstein, na Alemanha, um dos 78 que ele visitou antes de fazer o seu. “O segurança do castelo me disse que durante a madrugada ouvia o piano tocar sozinho músicas flamencas. Para ser sincero isso nunca aconteceu aqui”, conta, aos risos. A peça está perto de ataúde onde serão guardadas suas suas cinzas depois que morrer.

Ao sair deste salão, o grupo foi apresentado à prisão, calabouço, às peças de tortura, pelourinho, forca, roda de estiramento, labirintos, olhos ocultos, passagens secretas, túneis, e o misterioso Buraco Negro, com 106 metros de extensão a 27 metros embaixo da terra.

Ao fim do ‘passeio’, com alguns sustos, principalmente dos morcegos que deram voos rasantes, o grupo se reuniu, à luz de velas, para trocar experiências ‘assombrosas de vida’. Voltaram, então, ao salão nobre. “Por conta da escuridão lá fora, achamos por bem ficarmos todos juntos redigindo os textos”, conta Sérgio.

O grupo ficou por lá até as 6h trocando experiências e escrevendo. Ao todo foram feitos 12 contos individuais – veja um trecho ao lado – e dois em conjunto, que devem ser apreciados no livro a ser lançado já no próximo ano.




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