Trapalhões em tirinhas

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Marcela Munhoz

Houve um tempo – entre o começo dos anos 1970 e o início dos anos 1990 – em que as revistinhas eram febres. E iam além da Turma da Mônica. Personalidades como Senna, Pelé, Xuxa, Faustão, Sérgio Mallandro, Gugu, Angélica e até a dupla Leandro e Leonardo viveram aventuras em HQs. Dessas todas, porém, as dos Trapalhões fizeram sucesso por muitos anos. Tanto que, como relatam os próprios profissionais envolvidos, muitas piadas contadas nos gibis eram copiadas para a atração da televisão. “E aí quando eles, os autores das piadas, assistiam ao programa, tomavam um susto dizendo: ‘Ôpa, essa piada é minha!’”, relata Rafael Spaca.

Spaca, radialista, pesquisador cultural, escritor e fã dos Trapalhões, conta essa e outras curiosidades sobre as três fases deles nas tirinhas em As HQs dos Trapalhões (Editora Estronho, 182 págs., R$ 50, no www.estronho.com.br). O lançamento será em 6 de maio na Ugra Press (R. Augusta, 1.371, loja 116), em São Paulo.

Esta é a segunda obra sobre os comediantes lançada pelo autor, que também escreveu O Cinema dos Trapalhões – Por Quem Fez e Por Quem Viu. “Sem dúvida o processo mais trabalhoso foi o primeiro livro, para o qual entrevistei 132 pessoas. Levou quatro anos de pesquisa. Já este é composto por 27 depoimentos, não levou dois anos e, o melhor, foi rápido localizar os entrevistados”, conta ao Diário.

Três editoras – Bloch, Abril e Escala – comercializaram as tirinhas. Segundo Spaca, a fase em que menos fizeram sucesso foi na Escala, quando só tinha o Renato Aragão. “O Didi não é os Trapalhões, ele perde muito sem os outros três. Na Bloch tinham pegada mais alinhada à verve do grupo, com humor escrachado, politicamente incorreto e cheio de segundas intenções. Eram desenhados como adultos, o que permitia isso. Já na Abril se infantilizaram e o humor passou a ser mais inocente, ingênuo, abrangendo a família. Tanto na Bloch quanto na Abril fizeram muito sucesso de crítica e de vendas”, explica.

Durante as pesquisas, Spaca percebeu como os envolvidos ficaram felizes em poder falar um pouco sobre o trabalho deles. “As HQs dos Trapalhões é o primeiro livro em que uma equipe é retratada com igualdade, disseca a produção de gibis em estúdio. Nunca ninguém deu espaço e voz para que pudessem externar suas memórias”, acredita. Além dos roteiristas e desenhistas, também foram entrevistados coloristas, redatores e toda a linha de produção da HQ, que conta com prefácio de Dedé Santana, além de textos de Marcus Ramone, Jal e Denison.

E quem folhear a obra também vai dar de cara com esboços, estudos de personagens, rascunhos e uma historinha inédita: O Fantástico Didisena. “Era para sair em 1994, mas o Senna morreu. Acharam melhor não publicar e ela ficou na gaveta por anos. Graças à generosidade do desenhista Gustavo Machado – a história é de Gerson Luiz Teixeira – o público terá acesso à ela. As tirinhas são uma paródia do mundo da Fórmula 1, que testemunhava a rixa entre Ayrton Senna e Alain Prost.”

Agora Rafael Spaca está trabalhando em um terceiro projeto sobre como o quarteto era criticado. “Eles apanharam muito dos jornalistas. Quando os filmes foram lançados levaram sonoras vaias e o programa na televisão era desdenhado. O grupo ‘sobreviveu’ a essa avalanche e não conseguiram frear seu sucesso. Os Trapalhões são um universo a ser ainda muito explorado”, finaliza.




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