Vera Cruz volta para a Prefeitura

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Miriam Gimenes

 Agora é oficial. Como havia dito ao Diário em dezembro, ainda antes de assumir o cargo, o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), realmente rescindiu o contrato com a Telem S.A, empresa que ganhou a concessão do Complexo Vera Cruz por 30 anos, conforme contrato assinado com a antiga administração em junho de 2015. Ontem, colocou faixa na porta do pavilhão ‘devolvendo’ o local ao município. Ele também anunciou o reinício das aulas do CAV (Centro de Audiovisual) em 30 dias e prometeu investir na vocação cinematográfica do espaço.

A Prefeitura encaminhou a rescisão do contrato para a Telem em 15 de março, após problemas envolvendo a parceria, inclusive a má gestão do CAV. A empresa teve o prazo de dez dias para se defender. “Hoje (ontem) eles (Telem) deram o aceite devolvendo o prédio, o que, para nós, fica claro que aceitaram a rescisão. A Prefeitura fará encontro de números, por meio de auditoria, e aquilo que for devido será cobrado, considerando que a Telem explorou por grande período todo o espaço. Se ela deve ao município, terá de pagar”, garantiu Morando.

Desde junho de 2015, quando o contrato foi assinado, a empresa não cumpriu com a contrapartida, que era gerenciar o CAV. A revitalização do pavilhão previa investimento de R$ 156 milhões. O acordo envolvia, entre outras ações, a construção de centro cultural (teatro de 800 lugares, cinema com 100, além de memorial, restaurante e incubadora de empresas do setor audiovisual). Passados quase dois anos, nada saiu do papel.

Agora, o desejo da administração é retomar o Vera Cruz para o uso original: o da indústria cinematográfica. “Esta semana uma emissora de TV, a qual não posso revelar o nome a pedido deles, virá fazer vistoria no local. Se existir interesse faremos chamamento público, um edital, para concretizar uma parceria com a emissora e reativar o Vera Cruz”, adiantou o tucano. Um dos últimos filmes gravados no local foi Lula, o Filho do Brasil (2010), de Fábio Barreto.

A ideia, acrescenta, é que além de utilizar o espaço para gravações, a emissora também revitalize os dois teatros inativos há anos e destine, enfim, espaço permanente para as aulas do CAV que, por enquanto, devem continuar no Cenforpe. Já o estacionamento, utilizado por alunos da Faculdade de Direito, será administrado pelo Rotativo São Bernardo e passará a ser cobrado pelo horário utilizado.

ACERVO
Após o anúncio da rescisão, as portas do Vera Cruz foram abertas. O acervo de anos de história está alojado nos porões do complexo. Entre poeira, sujeira e mofo, estão figurinos, objetos, rolos de filmes, cartazes e até um carro usado por Mazzaropi em O Vendedor de Linguiça (1962). Segundo o prefeito, a preservação do material também era de responsabilidade da Telem. “Veremos o que é possível recuperar e preservar. Os quadros já vão para a Pinacoteca da cidade com garantia de conservação”, prometeu.

Questionado sobre o uso da marca, já que a empresa Cinematográfica Vera Cruz Ltda. é de propriedade privada, Morando foi taxativo: “Entendo que sendo público (o gerenciamento do Pavilhão), o domínio é da Prefeitura. A família questionou porque era a iniciativa privada que estava explorando. O menos importante é o nome, até porque ele está cravado na parede. A não ser que a família venha arrancá-lo. Mais do que a titularidade, o importante é a tradição.”

Procurada pelo Diário, a Telem disse que não vai se pronunciar sobre o assunto.




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