Semear sonhos pelo mundo

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Vinícius Castelli

 Humberto Ramazzina saiu de sua casa, em São Bernardo, ainda novo, aos 16 anos. Deixou para trás o conforto do lar, a companhia da família e mergulhou sem medo no mundo em busca de seu sonho: viver do balé. Radicado nos Estados Unidos desde então, hoje, aos 19, Ramazzina já carrega no currículo três anos no The Harid Conservatory, na Flórida. Ele faz parte da Charlotte Ballet, na Carolina do Norte.

“Charlotte Ballet é uma companhia muito ampla com grandes nomes como Jean-Pierre Bonnefoux e Patricia McBride”, explica o bailarino da região. “Desde quando cheguei aqui tenho trabalhado muito, não só com o balé clássico, mas também com o contemporâneo e moderno”, explica o artista.

Ele lembra que conseguir a vaga não foi fácil. “Fazer audições requer muito fisicamente e financeiramente também, mas tive ajuda dos meus pais e familiares”, diz. Hoje, é quase independente. “Charlotte Ballet é meu trabalho oficial. Recebo todos os meses e sobrevivo daquilo que ganho. Meus pais ainda me ajudam, mas só com 10% (dos gastos). Os outros 90% eu que pago.”

Apesar de estar em outro país, o bailarino não tem muito tempo para diversão, tampouco para viagens. “Começo com uma aula de balé clássico às 9h30 e vou até 11h. Tenho um intervalo de 15 minutos e começo meus ensaios por três horas. Faço uma pausa para o almoço e depois mais três horas de ensaio”, explica ele.

Totalmente habituado com a nova vida – ele saiu do Brasil sem falar inglês e aprendeu tudo lá –, Ramazzina conta que tem como meta, de fato, viver nos Estados Unidos. “Nos últimos anos mudei muito a forma de pensar. Quero sim ficar por aqui e viver a minha vida. Trazer meus pais para morar comigo é um dos meus sonhos”diz ele, que agora batalha por um visto permanente. O artista não vê no Brasil um futuro para a dança. Hoje ele tem um visto anual, o OPT (Optional Practical Training Extension). O próximo passo é um para quatro anos e, em seguida, um permanente. “Não custa sonhar, muito menos tentar.”

Enquanto batalha pelos documentos, Ramazzino foca na dança e segue em frente. Além de se apresentar com a segunda companhia do Charlotte, já conseguiu lugar na primeira também. Entre os espetáculos que apresentou estão O Quebra Nozes e The Groove.

Nos planos para o futuro, Ramazzina, que é fotógrafo nas horas vagas, quer, além de se aperfeiçoar ainda mais no universo da dança, fazer faculdade de Administração e escrever um livro. E tudo como cidadão norte-americano. Afinal, segundo ele, “nada nesta vida é impossível”.




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