Vai ter funk sim

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Karine Manchini

Cheguei chegando/Bagunçando a zorra toda/E que se dane/Eu quero mais é que se exploda/Porque ninguém vai estragar meu dia. Desde que começou a lutar pelo desejo de ser cantora aos 8 anos, Ludmilla, 21, dá, sempre que pode, um chega para lá no preconceito e nas críticas. Apesar de ser despretensioso e feito para ‘se jogar’ na balada, Cheguei – terceiro single do seu novo álbum, A Danada Sou Eu, que acaba de ser divulgado e cujo trecho abre esta reportagem – também serve de recado para os que cuidam mais da sua vida do que ela mesma, assim como 24 Horas Por Dia, que faz parte do primeiro CD (Hoje), lançado em 2014.

A verdade é que Ludmilla Oliveira da Silva, que começou a chamar atenção ainda quando ostentava o nome MC Beyoncé e, depois, pelo hit Hoje, ainda está aprendendo a lidar com a fama e com o assédio dos fãs, mas sabe muito bem se defender quando precisa. Como quando sofreu ataques racistas pela internet. “Toda forma de preconceito é inadmissível. Acho que temos que lutar pelos nossos direitos, erguer a cabeça e denunciar. Isso não é normal, não pode ser deixado para lá. Independentemente da classe social ou cor, desejo, do fundo do meu coração, que todas as crianças do nosso País lutem por tudo aquilo que desejam e nunca deixem de acreditar que são capazes de conquistar o mundo”, aconselha.

Mulher, humilde, negra, cantora de funk e que conquistou seu lugar na sociedade. Mesmo tendo tudo para servir de exemplo, Ludmilla acha exagero quando é considerada um. Porém, gosta de servir de inspiração para talentos que estão surgindo. “Acho de extrema importância a valorização da mulher na música. Apoio a igualdade, seja ela de cor, gênero e opção sexual. Somos todos iguais!”, destaca.

Assim é a menina de Duque de Caxias, que, apesar da pouca idade (ela faz 22 anos no dia 24 de abri), é extremamente focada nos seus objetivos. Nas entrevistas sempre faz questão de dizer que cumpriria a promessa de cuidar da mãe e da avó quando tivesse condições financeiras. E é o que está fazendo. Trabalho é o que não falta para a moça, que encara, em média, 20 shows por mês. No dia 8 de abril vem ao Grande ABC pela primeira vez. Ela vai se apresentar em São Bernardo, no Clube da Mercedes. “Estou ansiosa e feliz que finalmente vou conhecer a região. Tenho certeza que será incrível e animado”, comemora.

QUE DANADA!

E as pessoas que tanto a cantora manda diretas e indiretas devem estar com os cotovelos doendo ainda mais. Há pouco, a revista Forbes Brasil divulgou lista de 91 pessoas que têm algo em comum: possuem menos de 30 anos e fazem a diferença. Ludmilla está na lista. A artista também já foi indicada em 23 premiações, entre elas, duas de cantora revelação pela Revista Glamour e pela Rádio Awards Brasil. Entre os momentos inesquecíveis da carreira, ela destaca a participação do especial do Roberto Carlos, da Globo, em 2015. “Foi uma das experiências mais incríveis da minha vida. Fiquei muito nervosa, mas ele (Roberto Carlos) é de uma generosidade e simplicidade tão grandes, que me senti supersegura na hora de cantar.”

Lud descobriu que gostava de cantar na infância, quando participava de rodas de samba do bairro e se apresentava nas festas dos amigos. Um tio foi quem percebeu o talento da sobrinha e encorajou a menina a seguir em frente. Foi quando a cantora começou a escrever letras e postar vídeos no YouTube. Os shows foram consequência. Tudo aconteceu de forma rápida e, em 2014, ela assinou contrato com a Warner Music para o lançamento de Hoje.

De um dia para o outro, a MC Beyoncé da periferia de Duque de Caxias – a diva norte-americana continua sua principal influência, tanto que participou de homenagem a ela no desfile de Carnaval deste ano da Unidos da Tijuca – virou celebridade. “Fiquei muito feliz, um pouco assustada e também eufórica. Foi a concretização de um sonho de infância. Sou grata aos fãs e às pessoas que conheci durante o caminho até aqui, mas ainda tenho muito a aprender, a estrada é longa”, diz. Na próxima curva desta trajetória está a realização de outro desejo de Ludmilla, o que deve acontecer até o fim do ano: “Quero gravar meu tão esperado DVD. Estou na torcida”.

 



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