Cultura de fomento

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Marcela Munhoz<br>Do Diário do Grande ABC

 Cercar de cuidados para criar ou fazer crescer; estimular. Fomentar é uma palavra muito usada por gestores de diversas áreas. Ela também, especialmente seu significado, faz parte do dicionário de João Manoel da Costa Neto. Aos 34 anos, o advogado, escolhido pelo prefeito de São Caetano José Auricchio Júnior (PSDB), assumiu o compromisso de ''tocar'' a Pasta de Cultura da cidade onde cresceu. Junto na mala que trouxe ao novo escritório, veio a experiência de trabalhar no Estado desde 2006, onde foi chefe de gabinete da Secretaria de Cultura.
“Respirei a área por anos, criei gosto de verdade pelo tema, aprendi muito. Pude , inclusive, enxergar melhor a Cultura de São Caetano lá de dentro. Os são-caetanenses têm grande apego e envolvimento com a história da cidade. Por isso, minha função é de muita responsabilidade, mas de tranquilidade, por conta da estrutura que já existe. Já começa com o fato de, diferentemente de outras cidades, Cultura estar sendo tratada em Pasta especifica para ela” conta.
Como secretário, Neto pretende, primordialmente, trabalhar na formação de novos públicos. “A Educação forma e a Cultura transforma a população, por isso, crianças e adolescentes precisam estar envolvidos nos projetos. Vamos pensar em arte para todas as idades.” Segundo ele, é questão de mudar o hábito da população acessar e fazer cultura. Exemplo é contar com a parceria com as fundações Pró-Memória e a das Artes para investir bastante nos cursos livres. “Não adianta ter apenas os técnicos e profissionalizantes.”
Parcerias, aliás, são as principais apostas do gestor para conseguir conduzir a Pasta. Ele cita a importância de São Caetano – que já possui a conta do fundo municipal – ter aderido ao sistema nacional de Cultura. A cidade também entrou no Circuito Cultura Paulista, programa que está em 110 cidades e se apresenta de forma gratuita. O espetáculo do tradicional Balé Stagium abriu o projeto. Em abril, terá releitura de Clarice Lispector com a atriz Mel Lisboa.
“As pessoas dizem que Cultura em São Caetano vai bem porque sempre abrimos as portas dos teatros para a produção comercial. Mas muita gente não tem acesso aos espetáculos por causa do preço. O circuito é uma das primeiras providências para avançarmos na questão de inclusão cultural no município”, pontua. Outra vitória foi a seleção da Orquestra Filarmônica de São Caetano para o programa Toca Aqui, da Secretaria da Cultura do Estado.
Neto conta ainda que pretende manter as tradicionais festas da cidade, Italiana e Nordestina (<CF50>essa última voltará ao endereço de origem, no Bosque do Povo</CF>), que colocou como prioridade a Lei dos Artistas de Rua e que fez questão de regularizar e abrir novo chamamento para os artesãos do Espaço Verde Chico Mendes. “Em relação à alimentação, o novo regulamento diz que as barracas de comida terão de servir receitas de família, típicas ou tradicionais”, explica.

DIÁLOGO
Logo que chegou ao prédio da Avenida Goiás, 600, João Manoel da Costa Neto já teve muito trabalho, a começar pela falta de diagnóstico da Pasta. “Nossa primeira dificuldade foi não termos tido a oportunidade de um governo de transição. No começo, precisamos parar para entender o que tinha ficado de herança”. Segundo ele, o maior problema está relacionado ao não pagamento de cerca de 180 funcionários ligados aos projetos de oficinais culturais, bandas e fanfarras e o Viva Arte. “Em janeiro, ficamos surpresos ao saber sobre o fato da anulação dos empenhos em dezembro. Como consequência, as pessoas não receberam os pagamentos. Ainda estamos tentanto resolver, mas convoquei uma reunião e expliquei o que estava acontecendo. Pedi ajuda e tive a aceitação, inclusive, para pensarem em um novo edital, como vamos tocar o programa”. A situação precária da Estação Jovem também preocupa o gestor. “Infelizmente está totalmente sucateado, depredado, por isso, está sendo objeto de estudo da Secretaria de Obras para pensarmos em como vamos conseguir retomar o equipamento.”
As conversas com os representantes de várias áreas têm sido frequentes, de acordo com o secretário. “Isso tem sido primordial para a gente retomar. As portas estão sempre abertas e não tenho poupado esforços para receber. Algo que tem facilitado muito é o relacionamento com o Conselho de Cultura”, destaca.
Com 33% do orçamento para Cultura e nenhum investimento nos dois primeiros anos, segundo o secretário, a chave vai ser priorizar e fazer funcionar os “programas que realmente interessam a São Caetano”. “Não vou precisar que tudo vai continuar e nada será fechado. Mas tudo será discutido. O orçamento para Cultura, como acontece em todas as esferas, o cobertor é mais curto. Some isso à crise do País e ao cenário cheio de dificuldades que encontramos aqui. Mas, logo que assumi, já procurei o prefeito, que assumiu o compromisso de tentar rever o orçamento quando a situação melhorar”, finaliza.




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