Alpharrabio faz aniversário

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Vinícius Castelli

 “Como diria o poeta espanhol Antonio Machado, o caminho foi feito ao andar. Andamos com determinação e os caminhos foram abertos”, diz Dalila Teles Veras, criadora e responsável pela Alpharrabio Livraria e Editora (Dr. Eduardo Monteiro, 151. Tel.: 4438-4358), em Santo André. O espaço celebra 25 anos com festa. Para comemorar, abre hoje, às 11h, a exposição Alpharrabio: Um Quarto de Século na Casa do Infinito, que mostra, por meio de imagens, livros e objetos a trajetória do local. A idealização da exposição é de Luzia Maninha Teles Veras e a montagem é assinada por Zhô Bertholini. A entrada é gratuita.

Quando tudo começou, em 1992, o que parecia ser uma pequena livraria com acervo de cerca de 2.300 títulos – hoje são aproximadamente 10 mil – foi ganhando força, a estrada se fez real, foi construída e, hoje, a Alpharrabio é, além de sebo, editora, local de exposições e troca de ideias, ponto de encontro de amantes das artes em geral e fomentadora cultural. Tanto que serve também de ponto de encontro de escritores, poetas, músicos, pessoas do teatro, cinema, compositores e amantes das artes no geral.

Dalila conta que a Alpharrabio ter se tornado também editora não foi propriamente uma escolha, mas o resultado de determinadas circunstâncias. “Em decorrência do encontro permanente de pessoas interessadas em literatura, a efervescência artístico-cultural instalada, fez-se urgente a criação de uma editora que desse conta de registrar e divulgar a notável produção literária e do pensamento ao redor.”

Seguramente já foram publicados pelo selo mais de 50 autores e entre 150 e 200 títulos. Entre os nomes estão Fabiano Calixto, Alexandre Takara, a própria Dalila, Antonio Possidonio Sampaio, Hélio Neri e Tarso de Melo, entre tantos outros.

O escritor e poeta andreense Zhô Bertholini é um dos frequentadores assíduos do espaço. Conheceu a Alpharrabio em 1993, por comemoração do Centenário de Mário de Andrade. Entre as coisas que o local acrescentou em sua vida estão “amizade, cumplicidade e principalmente o convívio com os afins de uma cultura alternativa e verdadeira”, diz.

Jurema Barreto de Souza, escritora e poeta, além de criadora da revista A Cigarra, ao lado de Zhô, também está sempre na Alpharrabio. Para ela, o local abriu suas portas para as artes. “E também para a discussão de ideias, a valorização da memória com o ABCs – Núcleo de Referência e Memória, um acervo fantástico. Não se pode falar da Cultura em Santo André sem passar pela Alpharrabio.”

Professor e escritor Alexandre Takara considera o lugar sua morada. “Lá me encontro com meus amigos  e estabelecemos papos sobre literatura, filosofia, política, sociologia e  antropologia. Mergulhamos, fundo, nas discussões”, afirma ele.

Com dois livros lançados pela editora, Fabiano Calixto conta que a livraria foi de importância sem tamanho não só para os rumos de suas leituras e escrita, mas de sua vida. “Realmente esse contato com as pessoas dali, com as ideias que ali circulavam, me colocou em estado de êxtase intelectual e criativo, o que clareou alguns caminhos e me ajudou a optar por certos rumos”, diz.

A Alpharrabio também faz parte de diversas fases da vida da dramaturga de Ribeirão Pires Adélia Nicolete. “Solteira, casada, mãe, autora, leitora, amiga. E assim eu também conheci as várias faces do local”, explica. Para ela, lá as ideias não só circulam, mas fermentam. Tarso de Melo, poeta, também tem relação de amor com o local. Aliás, para ele, a casa é “obra aberta feita com a colaboração de infinidade de artistas e públicos de perto e de longe”, afirma.

Para Dalila, entre as contribuições da Alpharrabio, a maior delas é o pensar. “E digo, sem nenhum exagero, que a esmagadora maioria das cabeças pensantes, da inteligência do Grande ABC ali passou e contribuiu para isso.” Para o futuro ela não espera nada. Apenas repete a ideia do começo desta reportagem: “Os caminhos estão sempre por abrir”.




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