CAV respira por aparelhos

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Miriam Gimenes

O CAV (Centro de Audiovisual de São Bernardo) está em seu pior momento. É que ontem funcionários e professores do espaço – cerca de 20 – foram convocados pela Telem SA, que ganhou a concessão do Complexo Vera Cruz pelos próximos 30 anos, para terem seus contratos rescindidos.

Fundado em 2012, o centro oferece formação gratuita especializada em cinema, televisão e animação, além de oficinas, workshops e palestras. Mais de 300 alunos se formaram no local, que compreende a primeira etapa do aguardado processo de revitalização dos 46 mil metros quadrados do Complexo Vera Cruz, que até o momento não saiu do papel.

Funcionários ouvidos pela equipe de reportagem afirmaram que o representante da Telem teria justificado dizendo que eles (a empresa) foram orientados pelo Ministério Público a tomar tal atitude porque não foram autorizados a realizar shows, feiras ou ter qualquer outra fonte de renda do Pavilhão Vera Cruz, o que inviabilizaria o pagamento dos honorários correspondentes ao centro.

Quando assumiu a concessão oficialmente, em agosto de 2015, a Telem prometeu injetar na Vera Cruz cerca de R$ 156 milhões, diluídos em cinco anos. Na época, afirmou que o valor seria pago do “próprio bolso”. No projeto apresentado – que incluía teatro, estúdios, salas de pré e pós-produção, estacionamento, espaço de convivência e memorial – o CAV seria realojado para o novo complexo.

“Pelo menos neste semestre não vejo como o CAV pode continuar, porque se eles (Telem) saírem, o novo processo de contratação precisa de um edital, o que demanda muito tempo”, revelou uma das fontes. Outro entrevistado acredita que não tem como a Prefeitura tomar conta do espaço agora, porque não há nem previsão de custeio no orçamento previsto para este ano. “Parece que esse realmente foi o golpe final para o CAV.”

HISTÓRICO
O fim dos contratos não foi o primeiro baque sofrido neste ano pelos funcionários, alunos e aspirantes aos cursos. No início de fevereiro, o processo seletivo – marcado para o dia 11 do mesmo mês com mais de 1.000 inscrições – foi cancelado por ‘problemas operacionais’. Em e-mail enviado aos inscritos, no entanto, a direção garantiu que, em breve, seria divulgada nova data para seleção, o que não ocorreu.

Funcionários e educadores também vinham lutando para receber salários atrasados, em alguns casos, desde abril. Na reunião de ontem, a Telem teria prometido resolver o assunto nos próximos 30 dias. Além disso, as aulas, que teriam de recomeçar na segunda-feira, ainda são uma incógnita, já que os funcionários têm de cumprir aviso prévio.

Com o medo do iminente fechamento do espaço e antes da rescisão dos contratos, alunos haviam iniciado abaixo-assinado on-line pedindo a ajuda do prefeito Orlando Morando (PSDB). Já foram reunidas mais de 1.800 assinaturas, mas até agora os estudantes não conseguiram entregá-lo.

Questionada pela equipe de reportagem, a Telem avisou que só conseguiria passar nota oficial sobre o caso “amanhã cedo” (hoje). A Prefeitura de São Bernardo, por sua vez, afirmou que “não tem conhecimento sobre a rescisão da Telem em relação aos contratos do CAV e só vai se pronunciar quando for notificada”.




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