'Infância é a origem de tudo'

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Miriam Gimenes

 No Sítio do Pica-Pau Amarelo, clássico de Monteiro Lobato, Dona Benta tem uma importância central. É dela que Narizinho, Pedrinho e Emília, a boneca de pano, ouvem as melhores histórias, responsáveis por atiçar a criatividade, que não tem limites, das crianças. Ruth Rocha, escritora que já fez parte da infância de milhares de brasileiros e completa hoje 86 anos, não viveu no sítio, mas teve em sua casa o mesmo exemplo, só que na figura masculina. Seu avô Ioio, definido por ela como alguém especial, contava as mais variadas histórias, desde os irmãos Grimm até Charles Perrault, tudo adaptado, é claro, pelo baiano ao universo popular brasileiro. “Ele era um assombro e isso tudo me influenciou muito”, lembra. Coincidência ou não foi a partir dos livros de Lobato que ela deslumbrou-se de vez pela literatura.

Ainda que devorasse os livros quando aprendeu a ler, nunca havia imaginado, no entanto, se tornar escritora, algo que aconteceu após se formar socióloga e trabalhar como orientadora educacional. “Quando tinha 11 anos, na 1ª série do ginásio, eu e uma amiga começamos a escrever uma história, que não passou de três laudas (páginas). Falávamos sobre garotas que moravam em internato, mas ficou nisso.”

Em meados da década de 1960 começou a escrever sobre educação para a revista Cláudia e seu texto diferenciado chamou a atenção de Sonia Robato, que dirigia a Recreio, revista voltada para o público infantil. “Ela me trancou em um quarto e pediu que elaborasse uma história que costumava contar para minha filha. Ali saiu a primeira história de minha vida.” Nasceu, assim, em 1969, Romeu e Julieta, que deu início à série publicada pela revista de Sônia. Em 1976, Ruth lançou seu primeiro livro, Palavras, Muitas Palavras, e daí pôs-se a escrever muitos outros, entre eles, o mais conhecido, Marcelo, Marmelo, Martelo, que já vendeu mais de 10 milhões de exemplares.

Passadas cinco décadas, tudo é fruto, segundo ela, de infância muito produtiva. “Os traumas e os acontecimentos na vida de uma criança são muito poderosos. Infância feliz resulta, consequentemente, em vida feliz.” Por isso, aconselha escutar os pequenos, conversar com eles e, principalmente, incentivá-los a ler, mesmo que os pais não tenham esse hábito. São atitudes de suma importância no desenvolvimento para o resto da vida.

E o que não faltam são opções para fomentar a prática da leitura, inclusive com publicações de sua autoria. No dia 18, por exemplo, Ruth Rocha lança a coleção Coisinhas à Toa que Deixam a Gente Feliz (Editora Salamandra), na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915), a partir das 14h. Dividida em quatro volumes,dois de autoria de Otávio Roth e dois inéditos dela (R$ 42 cada), a coleção valoriza os simples prazeres cotidianos, como cheirar mato molhado, estourar plástico bolha e vestir pijama de flanela. Imperdível.




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