Receita forte e renovada

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Vinícius Castelli

Após celebrar três décadas de estrada no ano passado, com direito a CD e DVD comemorativos, além de turnê, o Biquini Cavadão nem pensou em esfriar os motores e seguiu trabalhando firme e forte. Com a experiência que vem sendo acumulada desde os anos 1980 e dono de canções como Vento Ventania e Zé Ninguém, o grupo apresenta agora nova empreitada.
 
Batizado de As Voltas Que o Mundo Dá (Coqueiro Verde, R$ 30, em média), o novo disco do quarteto formado por Bruno Gouveia (voz), Carlos Coelho (guitarra, violão, dobro e bandolim), Miguel Flores da Cunha (piano, synth e órgão) e Álvaro ‘Birita’ (bateria e pandeiro) chega às prateleiras ilustrado por 12 composições, todas inéditas e autorais. Lançamento em São Paulo será em março, dia 23, às 21h30, no Teatro Bradesco. Ingressos de R$ 50 a R$ 100 (www.ingressorapido.com.br).
 
“Estamos constantemente compondo e trocando ideias. Músicas antigas e novas se misturam neste processo. Algumas, que foram recusadas em outros discos, voltam com novos arranjos e propostas também”, explica Gouveia ao Diário. Segundo o artista, eles já tinham 30 músicas prontas.
 
Na nova obra, a banda sai da zona de conforto e experimenta. Os temperos pop estão no ar, mas há também algo psicocélico, com o uso de sintetizadores e até receita folk, vez ou outra. E o resultado surpreende. O cantor apresentou aos companheiros a sugestão de ter Liminha como produtor do álbum e no contrabaixo, uma vontade antiga já, e que se concretizou. “Fomos juntos desenhando novo trabalho, incorporando novas sonoridades e ideias”, explica Gouveia.
 
O cantor e compositor conta que Liminha tem linguagem e vocabulário musical muito amplos. “Por isso, trocamos muitas ideias sobre sonoridades, em especial dos anos 1970. Foi um disco em que Miguel trouxe muitas informações novas para nós. Mas não direcionamos as canções. Foi exatamente o contrário, trazendo as sonoridades para o que as canções pediam”, relata.
 
E a riqueza dessa exploração sonora é muito perceptível. Resultado de trabalho cuidadoso. Gouveia conta que a banda só partia para outra canção quando encontrava o caminho para cada uma delas. “Todo dia, uma nova encruzilhada. Muitas já estavam com seus arranjos bem definidos, mas em outras faixas, partimos do zero.”
 

As Voltas Que o Mundo Dá é disco confessional, como explica Gouveia, “um livro aberto de nossas vidas pessoais”. Um Rio Sempre Beija o Mar, um dos carros-chefes do disco, fala sobre caminhos. Já Beijar Sem Fim relata os primeiros encontros de Alvaro ‘Birita’ com sua mulher. As canções falam de “êxitos e fracassos amorosos, ganhos inestimáveis e perdas irreparáveis”, de acordo com Gouveia. Pode até parecer triste, mas não é. É poético. E como o próprio artista relata, esse disco, de parecido com os anteriores, só tem “alegria de finalizá-lo com orgulho”. 




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