Quebre muros

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Marcela Munhoz

 

Só de construção de muros existem diversos capítulos na história da humanidade, muitos, inclusive, continuam erguidos. E Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, não abre mão de escrever o seu. Quer porque quer levantar barreira na divisa com o México, ao longo da fronteira Sul do país. Deseja a todo custo – e vai ser caro mesmo, mais de R$ 30 bilhões, calcula-se – dificultar a passagem dos imigrantes. “É necessário [...] e é bom para o coração da nação de certo modo porque as pessoas querem proteção e um muro protege”, declarou o norte-americano.

 
Muros até servem para proteger, e também para isolar, dividir, limitar. Será mesmo a solução? Muito está se comentando sobre a tal obra megalomaníaca de Trump, mas e os muros que cada um constrói todos os dias ao redor de si e ao redor do outro? Desses, ninguém fala. Claro, difícil admitir uma coisa dessas. Basta reparar, porém, os tijolinhos subindo sem parar quando se julga alguém, aponta o dedo, destila racismo, posta palavras de ódio. Tem gente que não dá nem mais para enxergar atrás da parede quando faz questão de não se misturar, de não cumprimentar o vizinho, de pensar no próprio umbigo. E os muros que são criados em torno das verdades absolutas? Esses têm até nomes: mitos, tabus, preconceitos.
 
Nesta edição trazemos duas reportagens de saúde – atentendo a pedidos dos leitores – que têm como propostas quebrar tijolos de muros construídos há gerações. Um deles diz respeito à displicência que os homens demonstram ao cuidarem de si mesmos. É inacreditável que, em pleno 2017, ainda existam piadinhas e, pior, resistência a respeito do importantíssimo exame de toque, que previne o câncer de próstata, por exemplo. Na reportagem especial mostramos que se de um lado tem mulher que não abre mão do absorvente comum e tem nojo do próprio sangue, por outro, muitas olharam por cima do muro, estão conhecendo o próprio corpo e dizendo ‘sim’ aos modernos coletores menstruais.
 
Ao virar as páginas desta revista, você vai ser apresentado ainda à Pet é Pauta, nova coluna feita especialmente para quem não resiste aos animais de estimação, vai saber um pouco mais sobre horta de dentro de casa, descobrir o que anda fazendo Cris Poli, a Supernanny, aprender a decorar o lar e também vai ler entrevista exclusiva com o humorista Marcelo Adnet, que desabafa: “Tenho bom humor, mau humor, acordo cedo, vou trabalhar, ralo pra caramba. O público não conhece as pessoas porque as veem na televisão. A gente julga. Ninguém pode saber como nós somos fora das câmaras ou na vida real.” Olha o paredão do julgamento aí novamente. Quem não tem muro de vidro que atire a primeira marreta. Aproveite a leitura!



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