Em busca da felicidade

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Miriam Gimenes

Ela devia estar contente porque tem um emprego, é dita cidadã respeitável e ganha alguns R$ 1.000 por mês. Mas Francisca, mais conhecida como Kika K, assim como a sua música-tema, acha tudo isso ‘um saco’ e roda em círculos para encontrar a tão sonhada felicidade. Essa ‘saga’ é contada no filme TOC – Transtornada, Obsessiva, Compulsiva, que tem Tatá Werneck como protagonista – pela primeira vez – e estreia amanhã no cinema. A direção e o roteiro são de Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic.

Kika K é atriz, comediante, estrela de novelas e de campanhas publicitárias. Está na crista da onda e prestes a ganhar o papel de sua vida na novela das 21h, Amorgedon. Só que toda sua popularidade, o fato de namorar um galã de novela um tanto boçal, o Caio Astro (Bruno Gagliasso), e a vida cheia de compromissos não a satisfaz. Induzida por sua empresária, Carol (Vera Holtz), emenda um compromisso no outro e não tem tempo nem para fazer o que gosta.

Não bastasse isso, Kika precisa lidar com a concorrência de Ingrid Guimarães (que interpreta ela mesma), um fã obsessivo, o Felipão (Luis Lobianco) e o seu TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), que visivelmente a atrapalha no dia a dia. Só que, em meio a esse caos, ela conhece Vladimir (Daniel Furlan), que pode a ajudar a colocar um fim à sua crise.

“Quando começamos a pensar nesse filme, a realidade da Kika ainda não era a minha realidade. Anos depois, quando fui ler o roteiro, ele tinha se transformando nessa história de uma mulher famosa que tinha tudo para estar feliz, mas não estava. Não é o meu caso agora, mas reconheço plenamente essa busca pela felicidade da Kika em meio às exigências da fama”, diz Tatá. “O filme tem muito o nosso DNA, o que a gente gosta de fazer e de ver. Ele vai para um viés diferente das comédias, até mesmo das que estou acostumada a fazer”.

CRISE
É fácil se identificar, no primeiro momento, com o conflito passado pela personagem já que a maioria das pessoas busca a alegria plena – algo, como sabemos, intangível. E, principalmente, por retratar como funciona o mundinho dos famosos, que as revistas, televisão e o cinema não mostram.

Embora o tema, a princípio, seja interessante, o longa patina em cenas inverossímeis – ela dá flechada que arranca os testículos de Felipão e a mesma flecha acerta o peito de Vladimir, e ambos seguem bem, à exemplo –, propõe diálogos mais engraçadinhos do que reflexivos e segue sem um desfecho digno de dar vontade de ver de novo. Até porque o real objetivo do longa-metragem, o de mostrar a redenção da atriz após uma crise existencial, fica no zero a zero.




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