Coletivos organizam intervenção artística contra homofobia

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Marcela Munhoz

 A arte sempre serviu como instrumento social. E ontem quem estava andando pelo Paço Municipal de Santo André no fim da tarde foi testemunha. Organizada pelas ativistas trans Leticia Souza e Virginia Guitzel – com o apoio de nove coletivos da região e São Paulo – a intervenção Contando Corpos ganhou a atenção dos transeuntes.

A ação começou com frases do tipo ‘a sociedade precisa de homens’, ‘a cultura está efeminando’, ‘seja macho’, ‘esses que têm esses problemas, que sejam atendidos, mas bem longe da gente’, enquanto integrantes dos coletivos eram ensacados e perfilados, dando a impressão de cenário de um massacre. Alguns foram cobertos pelas bandeiras LGBT.

No fim, as ativistas Leticia e Virginia contaram histórias de violências. “Somos vítimas todos os dias, mas não impotentes. Já não escondemos mais o nosso ódio e estamos de cabeça erguida. Nenhuma trans a menos, nenhuma trans vencida”, disse Virginia. “Não quero fazer parte das estatísticas de que travesti só vive até os 35 anos. Sem falar das que morrem sem alcançar a maioridade. O Estado é responsável pela LGBTfobia através de seus representantes, como Bolsonaro, Malafaia e Feliciano. Os daqui de Santo André não são diferentes. Só estamos querendo o direito a uma vida digna”, enfatizou Leticia.

De acordo com os organizadores, além de denunciar a violência e discriminação sofridas pela população LGBT (calcula-se que um homossexual é morto a cada 28 horas no Brasil; 132 foram assassinados só em 2016), o Contanto Corpos foi realizado em Santo André também para exigir a criação do conselho municipal LGBT.

O ato original foi criado pelo Coletive Friccional em 2014 e encenado a primeira vez na Capital. Fizeram parte ontem também os coletivos Juventude Faísca, Esquerda Diário, Pão e Rosas, Prisma UFABC, Coletivo AbrAção, ONG Atravessa, Psol Santo André, TLS ABCDMRR e o Juventude Faísca. “Queremos estar na luta para ajudar as pessoas que precisam estar na luta para combater esse governo”, conta Taciana Garcia, do coletivo andreense Juventude Faísca.




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