Atriz Vida Alves morre aos 88 anos

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Miriam Gimenes

Uma das pioneiras da televisão brasileira e responsável por guardar, durante muito tempo, a história do veículo, a atriz Vida Alves faleceu aos 88 anos, em São Paulo. Ela teve falência múltipla de órgãos e foi enterrada ontem no Cemitério do Araçá, também na Capital.

Vida, que concedeu entrevista para a revista Dia-a-Dia em outubro de 2011, foi a primeira mulher a dar um beijo técnico na história da televisão. O ano era de 1951, ela tinha 23 anos e fazia par com Walter Forster (1917-1996), diretor da Tupi, na novela Sua Vida Me Pertence.

A atriz havia se casado há pouco com o engenheiro italiano Gianni Gasparinetti, que trabalhava na construção da torre da TV Tupi. Walter Foster pediu, então, para ela solicitar o aval para a cena inédita. O ‘romance’ saiu, mas como pedia à época: apenas o encontro de lábios. Vida também protagonizou o primeiro beijo gay, em 1963, junto com a atriz já falecida Geórgia Gomide, no teleteatro Calúnia da TV Vanguarda. Ficou nas telinhas até o início da década de 1970.

Depois disso virou palestrante, escritora, e, em 1995, junto com os veteranos da televisão, fundou a Pró-TV (Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão no Brasil), que surgiu com o intuito de criar o Museu da Televisão Brasileira, que hoje funciona na sua casa, no bairro do Sumaré. Ela ficou à frente da entidade até setembro do ano passado e ‘passou’ o cargo para sua filha, Thais Alves.

Apaixonada pela televisão, não poupava críticas à sua evolução. “Democratizou tanto que precisou baixar a qualidade.” Mulher de opiniões fortes, manteve-se fiel ao companheiro, que faleceu há décadas. “O amor está muito descartável porque não é amor, é interesse sexual. Um foguinho rápido que apaga logo.” E comentou sobre a sua disposição em trabalhar até o fim, como de fato fez. “Estou vivendo: é como um rio que está correndo, até quando Deus quiser.

(Veja entrevista com Vida feita em 2013 no www.dgabc.com.br/TV/Home)

DEPOIMENTO
“Conversei com Vida em 2011 durante uma hora, no trajeto entre sua casa e o museu Cidade da TV, em São Bernardo, que atualmente está fechado para manutenção. Ela, com quase o triplo da minha idade à época, agradeceu a oportunidade de poder contar sua história para os leitores do Grande ABC. Eu é quem agradeço, Vida. Por ver o amor em seus olhos – tanto pela profissão, quando pelo marido, falecido há anos – e por me mostrar, com o perdão do trocadilho, que o que se leva da vida é a vida que se leva. “Plantei coisas. Se não concluir, concluirão e se lembrarão de mim como alguém que sempre batalhou para fazer algo de bom”, disse à época. MG




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