No limiar da vida

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Miriam Gimenes

 Quando se deparam com uma situação limite – leia-se entre a vida e a morte –, seres humanos afloram o que têm de mais íntimo. Ou melhor: mostram o que realmente são. Quer comprovar isso? Assista, a partir de hoje, às 22h45, a série Sem Volta, na Record. A direção é de Edgard Miranda e o roteiro de Gustavo Lipztein.

Considerada a primeira série de ação produzida no Brasil, que será divida em 13 episódios – de segunda a sexta-feira –, Sem Volta conta a história de um grupo de 11 montanhistas que se juntam para escalar a Agulha do Diabo, na Serra dos Órgãos, perto de Teresópolis, Rio de Janeiro. Tudo vai bem até que uma tromba d’água muda o rumo deste ‘passeio’.

Inspirado no filme O Regresso, de Alejandro Iñárritu, Miranda fez as filmagens de maneira diferenciada: com uma lente 14 a um palmo do rosto dos atores e praticamente nenhuma luz. “A série é para quem curte a pegada de ação. Os atores, que se prepararam com ‘o Pelé’ do alpinismo, Julio Campanella, fizeram também 99% das cenas. Todos se doaram muito, inclusive eu, que dirigi todas as cenas, e o resultado poderá ser visto nas telas.”

Roger Gobeth, que na trama é Solis, disse que a preparação foi primordial para dar veracidade aos personagens. “Com o Campanella tomamos conhecimento dos materiais, das ferramentas para a prática do alpinismo e quando fomos para a pedra, não começamos do zero. Foi ótimo.”

O seu personagem, uma espécie de anti-herói na história, é um homem que no momento que entra na mata para a aventura está descrente do ser humano. “A vida foi muito áspera com ele, seus valores estão deturpados. E a grande poesia é esta: quando ficam perdidos na floresta, isso faz com que ele renasça como ser humano”, explica Gobeth. Segundo ele, a necessidade de sair vivo de lá mostra o quanto precisa dos outros e pode, sim, ser uma pessoa melhor. “O que se debate ali é que quando coloca pessoas no limiar da vida, elas se mostram cada qual de uma maneira diferente. Pode-se esperar qualquer coisa delas.” O diretor é mais direto: “É na hora que o bicho pega que você conhece as pessoas”, completa Miranda.

Para a atriz Flavia Monteiro, que faz a Inês, uma guia de turismo, a série mostra que, às vezes, a pessoa pode ser mais forte do que imagina. “Os personagens estão em momentos de provações. É uma história muito bem escrita, contada em flashbacks que trazem o que os fez chegar até ali.”

As gravações, que foram feitas no início do ano passado, levaram o elenco ao extremo. “Foi uma provação para nós, atores. Entramos de cabeça. Cheguei a ficar dois dias pendurada a 40 metros de altura, para gravar a queda da minha personagem. Não à toa ‘cai de cama’ no dia seguinte”, confessa Flávia.




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