Vera Cruz ganha mais um capítulo

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Miriam Gimenes

 A novela envolvendo o Complexo Vera Cruz, em São Bernardo, ganha mais um capítulo, talvez o derradeiro. É que o prefeito eleito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), que assume o cargo oficialmente amanhã, pretende rever minuciosamente o contrato com a Telem S.A., empresa que ganhou a concessão do complexo por 30 anos e até agora não deu início às obras para revitalização do espaço. “Uma das possibilidades que vejo, se o contrato assim permitir, é revogar a concessão. Tudo o que vi dela (Telem) até agora não serviu em absolutamente nada ao erário e à cidade”, disse ao Diário.

Em agosto de 2015, uma festa com toda ‘pompa e circunstância’ falava do passado glorioso do Complexo Vera Cruz e prometia um futuro promissor. Na ocasião, o diretor comercial da empresa, Fernando Fontes, disse ao Diário que as obras começariam ainda naquele ano e que a primeira entrega a ser feita era a do Centro Cultural, com teatro e cinema, além de alguma estrutura dos estúdios. Mais de um ano se passou e nada saiu do papel.

Conforme afirma no site oficial, a empresa tem cinco anos a contar da assinatura – agora três e meio – para implementar o projeto de revitalização que, há meses, está nas mãos do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), ligado à secretaria de Cultura do Governo do Estado, porque o prédio é tombado. Consultado, o órgão estadual disse que aguarda documentação solicitada à Prefeitura para concluir a análise.

Morando não quer mais perder tempo. “Não vamos fazer nada à revelia da lei, mas não vamos permitir nenhuma benevolência que prejudique a cidade. Vou exigir o direito que é da Prefeitura.” Não está nos seus planos, no entanto, colocar novamente à ativa o complexo nos moldes do que foi no passado. “Até pela tecnologia que tem hoje nos centros cinematográficos não sei se o Vera Cruz cumpriria mais este papel, de verdade. Ele não precisa perder sua característica cultural e histórica, mas é preciso fazer um estudo para ver qual a maior viabilidade para o espaço. Não adianta achar que vou ter um Projac (estúdios da Rede Globo no Rio de Janeiro) dentro do Vera Cruz, não vou conseguir. Temos de trabalhar dentro das possibilidades reais.”

Uma das saídas, acrescenta, é integrar o espaço à Cidade das Crianças que, segundo ele, necessita de ajustes. “A Cidade das Crianças precisa ser melhorada. Hoje ela não é mais o que foi no passado, uma referência. O mundo mudou. Precisa de coisas atraentes, tem de trabalhar em cima de realidade”, finaliza.

A Telem foi procurada pela reportagem mas, até o fechamento da edição, não havia retornado.




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