Cuba aos olhos do mundo

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Soraia Abreu Pedrozo

Fidel Castro morreu aos 90 anos e grande parte de Cuba ainda chora pelo seu ex-presidente. O período de luto deve durar, pelo menos, até domingo. Tanto que os órgãos oficiais estão aconselhando os turistas a reverem suas rotas, por conta dos vários eventos programados. Mas, depois, a ilha volta a abrir os braços para os visitantes. Algo que passou a acontecer com mais frequência desde julho do ano passado, quando o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente Raúl Castro deram início ao restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países. O único Estado socialista da América tem atrativos – de sobra – para viajantes de todo o mundo. A começar por Havana.

A maior cidade da ilha caribenha, com 2,1 milhões de habitantes, é definida por sua peculiaridade. Já no aeroporto chamam a atenção as vestes militares dos funcionários e as portas dos banheiros, que se assemelham às de bares do Velho Oeste, baixinhas e vazadas. No caminho para o hotel, as fachadas decadentes de casas e prédios, cuja arquitetura foi imponente há 60 anos, e os icônicos automóveis grandes e coloridos, a exemplo do Chevrolet Bel Air, que tiveram seus dias de glória até os anos 1950, hipnotizam.

O histórico Hotel Nacional de Cuba – que é atração à parte e oferece tour guiado – é boa dica para hospedagem. Vá explorar tranquilamente o bairro Vedado, que abriga a famosa sorveteria Coppelia, conhecida por suas longas filas, que chegam a durar até uma hora para os cubanos – para os turistas a fila é outra, bem rápida, o que acaba sendo constrangedor. Mas os havaneses nem ligam. Parece que o momento serve para colocar o papo em dia. E o helado vale a pena, principalmente nos dias quentes, em que os termômetros não saem dos 30ºC, aliviados, em parte, por uma chuva no fim da tarde. Havana tem dezenas de museus, igrejas e casarões históricos espalhados pela cidade.

As fotos que dão o tom da decoração na Bodeguita del Medio, em Habana Vieja, eternizam visitas de dezenas de atores brasileiros ao local (os cubanos adoram nossas novelas). Os retratos dividem espaço com os do escritor norte-americano Ernest Hemingway, que deu fama aos mojitos do local. Apesar de sempre lotada de turistas, a Bodeguita é descolada e tem cara de boteco. Um dos grupos que costumam tocar por ali é o Villazul, que apresenta composição de Raydel Iglesias dedicada ao local, La Flor de La Habana. O país, a propósito, respira música, e nos presenteou com talentos como o Buena Vista Social Club.

A poucos passos dali, a pequena Plaza de La Catedral oferece mais uma experiência marcante. Ao sentar-se em uma das mesinhas de seus bares, é possível deliciar-se com o cenário, protagonizado pela bela e imponente Catedral de San Cristóbal de la Habana, com torres de tamanhos diferentes porque, conforme se explica, faltou material de construção. Como trilha sonora, cantores com um violão debaixo do braço, por poucos trocados, tocam clássicos. Um deles, inclusive, faz questão de mandar um salve para ‘a amiga’, a sambista Beth Carvalho.

Apesar do assédio aos turistas para pedir cigarros, a orla do Malecón, cartão-postal da cidade com oito quilômetros de extensão (liga Habana Vieja ao Vedado) é mágica e detentora do mais emocionante e inesquecível pôr do sol da vida.

Para conhecer um pouco mais do comércio cubano, a Calle Obispo é rua repleta de lojas, com lembrancinhas de todo tipo, como a boina imortalizada por Che Guevara e pinturas de artistas locais. O local costuma ficar lotado tanto de turistas como de nativos, já que abriga mercearias e comércios populares. Tanto que ali se aceitam ambas as moedas: o CUC (peso cubano convertido, criado para os turistas) e o CUP (peso cubano, para os locais). O CUC, equiparado ao dólar, equivale a 25 pesos cubanos. Porém, aos brasileiros, vale comprar euro, mais valorizado, e trocar em casas de câmbio, conhecidas por Cadeca.

Cidade transpira e dissemina história
Havana possui dezenas de museus. De sua história, do rum, do charuto, da revolução. E de praças. A Plaza de Armas, em Habana Vieja, é memorável. A primeira da cidade, construída logo após sua fundação, em 1519, pelos espanhóis, mantém o chão de uma de suas ruas com tacos de madeira, à época construídos assim, para que as carruagens e carroças não fizessem barulho. Explica-se: a via fica em frente ao Palácio de los Capitannes Generales, que no século 18 serviu de residência do governador espanhol e que hoje virou museu. Arborizada, a praça é palco de tradicional feira de livros e objetos usados. Vale o garimpo. No local, se tem o Castillo de la Real Fuerza, forte do século 16 que oferece bela vista à baía de Havana.

Pertinho dali, a Plaza Vieja é cenário para ser apreciado. Os casarões antigos, que abrigavam as famílias ricas de espanhóis, preservam os vitrais do século 16. A arquitetura colonial de Habana Vieja, a propósito, é uma das mais conservadas da cidade, pois recebe recursos do governo para ter suas fachadas restauradas.

A imensa Plaza de La Revolución, que guarda outro cartão- postal de Cuba, os murais dos revolucionários Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos, costumava ser palco dos intermináveis discursos de Fidel Castro. Ali, vale a pena visitar o Memorial a José Martí, torre de 130 metros, em forma de estrela, que homenageia o poeta e jornalista criador do Partido Revolucionário Cubano. Trata-se do ponto mais alto da cidade, com vista única.

Dali é possível tomar um coco táxi, transporte mais em conta do que os táxis tradicionais até o Mercado San José, melhor local para comprar lembranças cubanas. Ou dá para ir ao Museu de La Revolución, situado em edifício imponente que foi palácio presidencial. O local é uma aula de história, porém é preciso conhecer um pouquinho de espanhol. Os guias de museus, a propósito, não podem cobrar, oficialmente, por explicações. Mas, disfarçadamente, recebem alguns CUs. 




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