Lição para preservar a vida

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Vinícius Castelli<br>Do Diário do Grande ABC

Algumas experiências ficam para a vida toda e as levamos adiante; outras, de tão dolorosas, optamos por esquecê-las. No caso de Hélio Rodrigues, apesar de ter sido muito difícil o que viveu, ele resolveu usar para o bem. Ex-usuário de drogas, reuniu toda a sua vivência em um livro. A obra, batizada Memórias de um Ex-Drogado (Editora Raridade, 288 páginas, R$ 29,90, em média) tem lançamento hoje, em Santo André, na Casa da Palavra, a partir das 19h.



Ele tinha 17 anos na década de 1970 quando resolveu provar maconha. E não teve limites. “Fui tendo vontade de experimentar outras coisas”, diz ele ao Diário. Pulou para cocaína e, em seguida, para o crack.Usou drogas por mais de duas décadas. Parou aos 40, após várias tentativas, como em um estalo, sozinho. “Não tive ajuda de ninguém. Parei, há mais de 20 anos, e nunca mais usei”, explica.
Hoje, aos 62, o andreense vive tranquilo e dá palestras a respeito do tema, além de ter se enveredado para o rumo da literatura. A ideia de fazer o livro, segundo ele, é para dar alerta para quem pensa em usar drogas e também trazer esperança para quem tenta sair deste tipo de situação. “É um relato do que foi minha vida”, diz. “Tive a necessidade de escrever esse livro. É uma história de superação; me fez bem e é uma forma de deixar legado para a sociedade.”

Ao longo dos mais de 20 anos usando drogas, o período mais complicado foi com cocaína e crack. “Tive paranoia, overdoses, encrenca com traficantes”, conta ele, que assume sempre ter sido muito impulsivo e exagerado. Além de ter perdido todos esses anos e o comando de sua vida, o escritor também perdeu muito dinheiro. “Tinha cinco imóveis. Quando parei de usar drogas não tinha mais nenhum. Gastei cerca de R$ 1 milhão com drogas, ou mais”, confessa. “A gente perde o controle de tudo. Passei cinco dias e cinco noites sem dormir por conta de droga. Tinha vez em que usava maconha, cocaína, crack e bebia de uma só vez.”

Rodrigues chegou a perder a esperança. Tentou parar por diversas vezes, mas sempre tinha recaídas. “Tentava e voltava”, diz. Perdeu amigos também, que morreram de overdose, foram assassinados. “Acho que 90% das pessoas com quem eu convivia morreram.”
Hoje vive feliz. Se casou quatro anos depois de parar com as drogas. “Não tive sequelas, preservei minha condição. Essa história, que está no livro, não é só minha, mas de todo mundo que passa por essa situação.”

Memórias de um ex-Drogado – Lançamento de livro. Hoje, a partir das 19h. Na Casa da Palavra – Praça do Carmo, 171. Santo André. Entrada grátis.




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