Guns para lavar a alma

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Marcela Munhoz<br>Do Diário do Grande ABC

Desde a primeira apresentação da turnê Not It in This Time Life, em junho, em Detroit, nos Estados Unidos, os fãs brasileiros estavam ansiosos para também ter a oportunidade real de ver novamente, após 23 anos, Axl Rose, Slash e Duff McKagan juntos no mesmo palco como Guns N’Roses. Pouco mais de quatro meses depois, o que estava na imaginação se tornou real. A banda se apresentou no Allianz Parque, Capital, na sexta-feira e ontem. Agora, eles seguem para o Rio de Janeiro, onde tocam na terça-feira (Engenhão), depois viajam para Curitiba (quinta) e finalizam a turnê brasileira em Brasília (domingo).

O primeiro encontro com o público teve um estádio com 45 mil pessoas como testemunhas, devidamente equipadas com camisetas estampadas com armas e flores, além de bandanas a rodo. A brasiliense Plebe Rube fez as honras e abriu o palco para receber os cinquentões norte-americanos que, pasmem, atrasaram apenas 28 minutos. É, o Guns realmente está diferente daquele da década de 1990.

O Guns de 2016 segue o protocolo certinho. Eles substituíram as maluquices e brigas por um trabalho responsável, atento e correto. Por outro lado, é óbvio que Axl, aos 54 anos, não alcança mais 100% os agudos e não apresenta o mesmo fôlego de quando tinha 30 (e quem consegue?). Tanto que nas primeiras músicas muita gente se entreolhou e perguntou se o som estava baixo. It’s So Easy e Mr. Brownstone, portanto, serviram apenas para esquentar o que estava por vir.

Sem meias palavras, sequer palavras inteiras (o grupo quase não interagiu com o público), aos poucos, o volume da voz de Axl foi subindo e esquentando o coração dos fãs. É incrível como ela combina com o talento de Slash nas guitarras. Juntos eles são perfeitos. E o público teve a honra de ver o cabeludo de cartola deitar, ajoelhar e fazer o que quis com seu brinquedo. Foi uma surra de Slash durante as duas horas e meia de show. E Duff McKagan não ficou atrás.

Em Chinese Democracy e Welcome to the Jungle já deu para agradecer aos céus a bendita hora em que eles resolveram voltar. Era o Guns de sempre. À vontade no palco, o grupo – que também contou com os talentos de Frank Ferrer (bateria), Richard Fortus (guitarra base), Dizzy Reed e Melissa Reese (teclados) – emendou Double Talkin’Jive, Better e Estranged na sequência. Neste momento, forte e fria chuva castigou o estádio. Desta vez, diferentemente do convencional, a maioria optou por não colocar a capa transparente. O pensamento era o mesmo: a chuva será a protagonista da tão aguardada November Rain.

E tome tempestade e sonzeira na cabeça. Entre um saída de Axl para se trocar (o que ele fez umas cinco ou seis vezes) e um solo do Slash – o músico arrasou tocando o tema de O Poderoso Chefão –, vieram Live and Let Die, Rocket Queen, You Could Be Mine, You Can''t Put Your Arms, This I Love, Coma e a inebriante Civil War. Mas nenhuma outra música incendiou tanto o público quanto a clássica Sweet Child O’Mine, embalada pelo medley Wish You Were Here/Layla.

Quando finalmente a chuva deu trégua, curiosamente Axl Rose sentou-se ao piano e invocou November Rain. Balões vermelhos preparados pelos fãs-clubes tomaram conta e emocionaram o público, que cantou em uníssono a balada eleita em várias listas uma das melhores músicas de todos os tempos. Knockin’ on Heaven’s Door, Nightrain, Babe I’m Gonna Leave You e The Seeker vieram já perto do fim da apresentação histórica do Guns em São Paulo, que não poderia deixar de presentear os fãs com as também marcantes Don’t Cry e Paradise City.

Patience, também favoritíssima dos fãs, não apareceu no setlist de sexta-feira. Mas as outras 23 músicas escolhidas atenderam perfeitamente ao anseio de quem ficou 23 anos esperando o reencontro entre os músicos que fizeram e continuam fazendo história. Assim como Leonard Cohen, cantor e compositor canadense que morreu aos 82 anos, e recebeu justa e bonita homenagem dos norte-americanos. 




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