Um mar de amor

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Miriam Gimenes<br>Do Diário do Grande ABC

Apenas uma letra difere o verbo amar do substantivo mar. Mas, para a família Schurmann, conhecida pelas grandes expedições feitas nos oceanos do mundo, as duas palavras se fundem e tornam-se uma imensidão só no ‘''dicionário’ – leia-se história – de suas vidas. E é sobre este sentimento que o filme Pequeno Segredo, que estreia quinta-feira nos cinemas, fala. Ou melhor: declama.
Dirigido por David Schurmann, o longa, escolhido pela Academia Brasileira para disputar a vaga na categoria melhor filme em língua estrangeira no Oscar 2017 – o que gerou descontentamento dos defensores de Aquarius, estrelado por Sônia Braga – , conta a história de Kat (Mariana Goulart), uma garotinha que foi adotada pelo casal Heloísa (Julia Lemmertz) e Vilfredo Schurmann (Marcello Antony). Portadora do vírus HIV herdado dos pais – a brasileira Jeanne (Maria Flor) e o neozelandês Robert (Errol Shand) – a garota viveu intensamente os seus breves 13 anos de vida.
A história é contada de dois pontos de vista: a partir do caso de amor dos pais de Kat, que se conheceram no Brasil e foram morar na Nova Zelândia, e os ventos que levaram o casal Schurmann a conhecê-los. O longa não retrata, mas Heloísa disse ao Diário que foi o destino que os colocou lado a lado, depois de um problema no barco da família tê-los obrigado a voltar para Nova Zelândia.
Uma vez feito o encontro entre os casais e os problemas que o HIV acarretou para Jeanne e Robert, a menina, enfim, chega à família que a acolheu e a levou para conhecer, literalmente, o mundo.
Embora seja dirigido por um familiar, o que poderia deixar o longa parcial, a história mostra bem a superproteção da mãe – que sempre sonhou em ter uma menina – em relação à caçula e o que isso acarretou quando a garota, esperta que era, descobriu seu pequeno segredo. Julia, sempre impecável, mostra a paixão que Heloísa guardava para a pequena em cada cena. E Kat, sempre a menor da turma, sofreu bullying, teve uma paixão platônica, mas conseguiu realizar o seu sonho de ser uma exímia bailarina, o que rende umas das cenas mais emocionantes do filme.
A lista de indicados para concorrer ao Oscar só sai no dia 24 de janeiro, mas Pequeno Segredo não precisa estar lá para ser grande. Afinal, não é preciso conquistar uma estatueta para fazer valer a frase de Frederico Fellini: ‘O cinema é um modo divino de contar a vida’. E a história de Kat traz ensinamentos, para a família e espectadores, que vão além do que cabe nas telas. 




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