Pequenos notáveis

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Miriam Gimenes

Uma das perguntas que mais se ouve quando se é criança é: ‘O que você vai ser quando crescer?’. Em uma das brincadeiras feitas no Facebook, essa era uma das questões de uma lista de dez, que incluíam o desenho preferido e o que a mamãe mais gosta de fazer. Perguntei para o meu filho e ele, de pronto, respondeu: ‘Quero ser o Lucas’. Gargalhei. Mas refletindo, um pouco depois, desejei, de coração, que ele siga com esta consciência, já que, como disse Antoine de Saint-Exupéry, ‘todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucas se lembram disso;’ Espero que ele nunca perca a vontade de ser bom, de se preocupar com os outros, de partilhar nem que seja um caroço de feijão – ele faz isso quase sempre com o pai – e a doçura de seu sorriso sem igual, cujo desenho é refletido em seus vivos olhinhos.

E quem disse que é preciso ser adulto para atingir esses predicados e ser alguém? A Leiturinha, maior clube de assinaturas de livros infantis, foi buscar histórias de crianças que tiveram importantes conquistas e fizeram sua parte em busca de um mundo melhor. Chegaram em sete nomes: Anne Frank (judia que registrou em um diário o seu drama e o da família na Segunda Guerra Mundial; morreu em um campo de concentração e se tornou ícone contra a opressão), Malala Yousafzai (paquistanesa que desde a infância lutou pelo acesso à educação, tão reprimido para as meninas do seu país, quase morreu por isso e, em 2013, ganhou o Prêmio Nobel da Paz), Mattie Stepanek (portador de tipo raro de distrofia muscular que, enquanto vivo, foi um pequeno grande defensor da paz em nome das crianças com deficiência), Iqbal Masih (paquistanês, que também já morreu, foi vendido como escravo aos 4 anos, mas, aos 10, quando se libertou, e se uniu a uma organização do seu país, ajudando mais de 3.000 crianças a se libertar da exploração do trabalho escravo), Kaciane Marques do Nascimento (brasileira que tinha o sonho de montar uma biblioteca em casa e o fez com a ajuda de um empresário: hoje tem mais de 5.000 títulos e seu primeiro livro será lançado neste ano), Zach Bonner (fundou, aos 7 anos, a Little Red Wagon Foundation, ajudando mais de 1,3 milhão de crianças sem-teto nos Estados Unidos a terem melhores perspectivas de vida) e, por fim, Alexssandra Borges Alves (outra brasileira, que já leu mais de 300 livros e montou uma das duas bibliotecas de sua cidade, no quintal de sua casa, em Monte Aprazível, São Paulo, que é aberta para todas as crianças).

Para a pedagoga responsável pela curadoria da Leiturinha, Fernanda Veiga, “mais do que valorizar suas conquistas da infância, estas pessoas inspiram outros adultos a olhar para a criança que foram e reconhecer os ensinamentos que esta fase da vida tem a oferecer.” Desejo, portanto, aos integrantes desta lista que tiveram a chance de crescer – e ao meu filho – que sigam sendo ‘grandes’, no melhor sentido da palavra.

 



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