Dicas de quem conhece

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Vinícius Castelli

 A experiência de quem já viveu, ou vive, fora do Brasil pode ser boa maneira de adquirir dicas para uma viagem internacional e saber dos costumes locais, além de poder embarcar preparado, com o caderno cheio de sugestões. Também, é claro, ter a chance de fugir de possíveis roubadas. Para saber mais a respeito da Nova Zelândia, cuja maior cidade é Auckland, a equipe de reportagem conversou com quem teve contato um pouco mais profundo com o país. Do bate-papo surgiram dicas preciosas, daquelas que não estão nas revistas, tampouco na internet, como a da jornalista Marcela Gouveia, que afirma ser comum viajar pelo lugar pegando carona, já que as pessoas são hospitaleiras. Veja várias sugestões abaixo:

Marcela Gouveia Ramalho:
“Embarquei para a Nova Zelândia, minha primeira aventura fora do País, em 2010. Eu tinha 17 anos e acabado de me formar no Ensino Médio. Já tinha certeza de que estudaria Jornalismo, mas resolvi me aventurar e ganhar mais experiência de vida. Fui para fazer intercâmbio de seis meses e fiquei hospedada em casa de família, ou ‘homestay’ como eles dizem. Cheguei em Auckland e, apesar de não ser a capital da Nova Zelândia, é a maior e mais movimentada cidade do país. Foram muitas experiências que tive lá. Aos poucos fui conhecendo e explorando o destino e descobri que é um país fantástico. As pessoas são simpáticas, hospitaleiras e prestativas. Por isso, é comum lá viajar pegando carona com os motoristas na beira da estrada.

Minha primeira viagem fora de Auckland foi para Rotorua e Taupo. São dois lugares imperdíveis. Rotorua é tomada por gêiseres, espécie de fonte termal com erupções constantes. Nada muito incomum, afinal, são por volta de 65 vulcões, ativos e inativos, espalhados pelo país. Em Taupo foi um pouco diferente. É lá onde está o segundo maior bungee jump da Nova Zelândia. Se tiver coragem, pule. A Nova Zelândia foi a coisa mais fantástica que me aconteceu. Auckland me transformou. Fez eu sair do meu ‘mundinho’ e conhecer o mundo como ele realmente é. Aprendi que o medo nunca pode vencer os meus sonhos e que a coragem deve ser minha melhor amiga.”

Pedro Salek:

“Fui para estudar durante um ano na Auckland University of Technology. A faculdade era muito boa e animada, sempre com eventos para estudantes e recepção grande para intercambistas. Fui em julho de 2014 e voltei em junho de 2015. Morei em Auckland e visitei vários lugares no país. A Nova Zelândia é bem amigável com pessoas de outros países. Eles recebem muito bem os visitantes, não encontrei nenhuma pessoa que tenha me destratado por ser de outro lugar. Visitei vários locais, como Milford Sounds, Lake Tekapo, Rotorua, Tongariro Crossing, Abel Tasman, Pancake Rocks, Mt Taranaki, Tauranga, Coromandel, Hot Water Beach, Catedral Cove, Cape Reinga e algumas ilhas próximas de Auckland: Rangitoto e Tiritiri Matangi.

Rede bacana de hambúrguer é a Burger Fuel e, em Queenstown, tem a Ferg Burger. Bom de se experimentar é a comida Maori, feita em pedras aquecidas pela atividade vulcânica. É algo muito legal. Falando nisso, é sempre interessante saber sobre a cultura Maori em museus, eventos e atividades. O que mais gostei lá foi a sensação de estar em lugar especial. As cidades são bonitas; as pessoas, legais; os passeios, incríveis, clima agradável, estrutura de transporte público boa, vários lugares para lazer. Não consigo me lembrar de coisas que não gostei, mas o que as pessoas de lá reclamam mais é sobre os preços de imóveis em Auckland, então, quem for se mudar tem muito a pesquisar antes.”

Carla Faki:

"O motivo da minha viagem foi para fazer intercâmbio e estudar inglês. Escolhi a Nova Zelândia pela natureza, paisagens, por ter uma cultura diferente e, claro, que também pela época do ano em que fui: no verão. Seria ótimo, mas acabou não sendo muito. Entre minhas dicas, uma é ficar mais na região central de Auckland, na Queen Street, rua principal de lá, onde tem lojas, restaurantes, empresas, bares e baladas. É onde tudo acontece. No fim dela tem o porto, um lugar lindo para caminhar, tanto de dia quanto de noite. Há vários bares, baladas e restaurantes.

Tem a estação de trem principal, onde é possível comprar o bilhete para pegar tanto trem quanto ônibus (como se fosse nosso Bilhete Único). Você passa ele na catraca na entrada e na saída do ônibus e calculam o valor de acordo com o trajeto. A maioria dos supermercados não tem caixa (pessoa física). Você mesmo é quem passa na máquina, embrulha na sacola e faz o pagamento. É rápido, organizado e todos pagam, mas sempre tem alguém para ajudar por perto, caso precise.

Entre os pontos negativos, na minha visão, venta muito na cidade, incomoda um pouco. É um vento muito gelado. Mesmo no verão, o sol é quente, mas o vento, gelado. As praias são de água extremamente gelada. Há muita comida chinesa, árabe e indiana. Os restaurantes fecham cedo, por volta de 22h. Após esse horário tem apenas fast food”.

Elly Garcia:

"Morei na Nova Zelândia por quatro meses em 2014, estudando inglês na escola Edenz. Vivi com uma família que sempre foi muito amor comigo! Viajei um bocado durante esse tempo, mas somente na ilha Norte do país, pois apesar de ser um destino muito pequeno, ainda sim é enorme para os viajantes e aventureiros. Vivi em Auckland, quase no Centro da ilha Norte, e passei muito tempo na Queen Street, o que seria basicamente uma Avenida Paulista de Auckland, é uma rua comprida de muito comércio e vários restaurantes e shoppings, mas poucas construções altas. Também tinham muitos artistas de rua, era bem movimentado e tinha muito o que fazer! Em Auckland eu também fui na Skytower, um arranha- céu onde dá para subir até o topo e ver a cidade de cima, é relativamente caro (20 NZD), mas vale muito à pena. Na Auckland Bridge, a ponte que liga dois pontos da ilha separados por um grande lago, eu pulei de bungee jump e foi uma das experiências mais emocionantes da minha vida.

Fui também em duas praias maravilhosas na costa da ilha Norte, Cathedral Cove, uma praia que foi usada como set de filmagem. Possui formação rochosa no formato de um arco, que começa no penhasco, desce à praia e termina perto da maré. É uma praia linda e bem vazia, o que me surpreendeu. A outra praia foi a Hot Water Beach, que fica literalmente em cima de um vulcão ativo. Os estabelecimentos oferecem pás para cavar a areia, porque debaixo há uma camada de água que, por conta da atividade do vulcão, sai quente, em alguns lugares até fervendo; várias pessoas montam pequenas banheiras de água quente, e há quem ainda coloque mariscos (pescados na praia mesmo) e ovos pra cozinhar em algumas poças mais quentes!

Agora, para quem gosta de Senhor dos Anéis, Hobbiton é uma visita óbvia. Achei caro demais para o que oferecia (114 NZD por pessoa), mas não me arrependi. Hobbiton é o set de filmagem de inúmeras cenas do Condado, lar dos hobbits de Senhor dos Anéis, e parece pequena vila encrustada numa montanha, com casinhas e casonas de vários tamanhos diferentes. O que eu gostei muito foi que há o Green Dragon, um pub que fez parte do livro, e nele oferecem uma bebida grátis dentre três opções. O ambiente é bem rústico, com algumas mesas, poltronas, uma lareira e até um gatinho preto que fica zanzando pelo lugar.

E para os amantes de filmes, a Weta Cave é o lugar perfeito! Fica em Wellington, a capital da Nova Zelândia, uma cidade pequena localizada no meio de uma depressão que mais parece montanha ao contrário de tão enorme. A Weta Cave é um estúdio para o qual você pode marcar uma visita e fazer um tour. Lá, montaram diversos monstros, personagens, roupas e fantasias de filmes e séries; é um estúdio de criatividade, e o tour passa por artistas trabalhando em diversos projetos enquanto o guia explica como eles fazem efeitos especiais e afins.

Ainda em Wellington, o museu Te Papa é definitivamente digno de uma visita pra quem gosta de voltar no tempo. As exposições são artísticas e contam histórias de forma excêntrica. Um dos meus lugares favoritos para ir foi o Motat, o Museum of Transport and Technology. É um museu interativo, com atrações que dá para tocar, entrar, ouvir e brincar! Passei cerca de uma hora só na parte de brinquedos antigos, que era quase um fliperama retrô. Tinha até mesmo instrumentos musicais para serem tocados por qualquer um, e uma cabine telefônica antiga funcional! Um local muito bonito também foi o Hamilton Gardens, conjunto gigantesco de jardins temáticos, bem mantidos, cada um com uma aura diferente. Há jardins baseados em países, épocas históricas, e até livros! Mas é algo bem estático, não tem muito o que fazer para os mais inquietos. É um lugar para ir e observar, mais do que tudo.

Em questão de comidas, o que mais gostei foi o sorvete neozelandês. Boa parte da economia do país é baseada em laticínios, então eles definitivamente sabem o que fazer com leite. Os sorvetes baratos já são cremosos e saborosos, e o sabor especial neozelandês, o Hockey Pokey, é maravilhoso! Também há o Pavlova, que é praticamente um bolo de suspiro com frutas, muito delicioso (meus host parents fizeram para mim no meu aniversário).

A única coisa que eu não gostei tanto na Nova Zelândia foi como tudo era um bocado caro para o turista. Por conta de os salários serem altos, tudo é mais caro, frutas principalmente! Mas com certeza dá pra se virar nas promoções de McDonald''s se você não se preocupa tanto assim com comida supersaudável. O que eu amei foi a disposição das pessoas de ajudar e também a facilidade de se movimentar - há um aplicativo para celular que diz quanto tempo leva para chegar no seu destino, qual ônibus você tem de pegar, quanto custa o ônibus, quando ele passa (sempre pontual, atraso máximo de 5 min) e em qual ponto esperar (todos os pontos são numerados), além disso há ônibus de viagem pelo país inteiro, o que é ótimo pra quem gosta de backpacking.

Foram definitivamente os melhores meses da minha vida! As pessoas são educadas, é um lugar multicultural e aberto a diversas diferenças. Não dá pra ficar entediado sem se esforçar, tem muito o que fazer na Nova Zelândia, eu ainda fiz muito pouco!"




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