Curta-metragem ‘Onipresença’ concorre em festival no Sul

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Miriam Gimenes

 O que era um projeto de pós-graduação em Fotografia se tornou a defesa da categoria para o andreense Anderson Rodrigues, 37 anos. Ele, que trabalhava como repórter-fotográfico em treinos e jogos de futebol dos principais clubes de São Paulo em 2015, decidiu fazer curta-metragem, orientado pelo seu professor à época Dr. Rubens Fernandes Junior. Assim nasceu o Onipresença.

Pois bem. Após um ano de produção, o curta – baseado em 8.000 fotos de 15 profissionais, incluindo do próprio diretor – já participou da Estéticas das Periferias, em setembro, com a exibição no Centro Cultural da Juventude de São Paulo (Cachoeirinha). Foi selecionado, no mesmo mês, em Minsk, na Bielorrússia, e participou do 8º Festival de Cinema e Artes Visuais Bugarte, na Colômbia, onde recebeu a menção honrosa da curadoria na categoria vídeoarte. Agora, no dia 11, o filme vai competir na categoria experimental no 3º Festival de Cinema de Três Passos (Rio Grande do Sul).

A ideia, segundo Anderson, era colocar em discussão a produção contemporânea da fotografia, profissional e amadora. “Com as transmissões das TVs em 4K testadas na Copa do Mundo de 2010 (África do Sul), seria possível congelar um lance, capturar um frame em resolução suficiente para publicação e, possivelmente, dispensar o olhar do fotógrafo num mercado voraz. E qual vem sendo a resposta? Cada vez mais, boa parte dos fotógrafos se rende à tecnologia com máquinas poderosas, mantém o obturador pressionado e faz sequências cinematográficas. Ou seja, caminham para sacramentar o poder do vídeo”, analisa.

Vale dizer que para o fotógrafo realizar seu trabalho em um campo de futebol precisa investir cerca de US$ 30 mil (três máquinas e quatro lentes). Para cada foto vendida, capa de um jornal de circulação nacional, paga-se entre R$ 3 a R$ 30. “Sem falar no deslocamento, tempo e condições de trabalho, muitas vezes embaixo de sol e chuva com a pressão de transmissão em tempo real.”

O trabalho, que mostra grande parte do que envolve uma partida de futebol, coloca bem o papel de um fotógrafo neste ‘espetáculo’ e leva o espectador à leitura particular sobre o ofício e a reflexão do poder da fotografia. Tudo permeado por uma trilha sonora diferenciada, que mescla o samba e o metal, e é assinada pelo guitarrista Alexandre de Orio. Os áudios, muito importantes para o entendimento da ‘história’, são editados e mixados pelo produtor Marco Esteves, no estúdio Eiffel, em Santo André.

Ainda não é possível assistir ao curta, já que, pelas regras dos festivais, ele não pode ser disponibilizado. Porém, Onipresença está sendo apreciado pelo Cinefoot e pode vir a ser exibido em dezembro, no Museu do Futebol. Enquanto isso, mais informações estão no www.andersonrodrigues.fot.br.




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