Dr.Estranho traz magia ao Universo Marvel

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Luís Felipe Soares

 Como não poderia ser diferente de se imaginar, Doutor Estranho – opção em quase todas as salas de cinema da região – é um filme psicodélico. Mas não algo sobre a contracultura dos anos 1960, e sim sobre a ideia da poderosa manifestação mental e espiritual que as características do universo ao redor do personagem é capaz de fazer. Se nos outros filmes da Marvel há muita ciência e experimentos científicos, com o reino asgardiano de Thor sendo algo à parte e mais fantasioso, cabe a Stephen Strange mesclar a magia com o mundo real – na medida do possível para filmes de super-heróis.

A ideia de levar o personagem para as telonas já é um pouco antiga para os produtores do estúdio, que esperaram a consolidação do gênero e da afirmação de figuras bem mais populares, casos de Capitão América e Homem de Ferro. O projeto do diretor Scott Derrickson (com carreira consolidada no gênero terror com produções como O Exorcismo de Emily Rose e A Entidade>) segue à risca alguns itens desse novo ‘padrão Marvel’: superação, otimismo, construção do herói, o antagonista passageiro e as piadas para descontrair a tensão. Todos esses elementos estão no longa-metragem que chega aos cinemas brasileiros na quinta-feira, com o mesmo espírito mostrado em outras divertidas obras de debut recente de nomes dos quadrinhos na sétima arte.

Na trama, Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é arrogante cirurgião que sofre grave acidente de carro e deixa a carreira. Ele busca acabar com o tremor constante nas mãos causado pela capotagem e viaja para o Nepal atrás de possível ajuda espiritual. A jornada pela melhora pessoal se revela viagem por cura de alma do protagonista, uma virada de 180 graus em sua vida. As revelações comandadas pela misteriosa Anciã (Tilda Swinton) fazem com que todos – inclusive o público – entendam que somos apenas pequenos grãos na imensidão dos universos, tanto espaciais como dimensionais. Talvez seja o filme com maior teor dramático por conta das transformações pessoais do personagem.

O trunfo visual do filme aparece na muito divulgada capacidade de transformar a realidade da maneira que achar melhor, de forma parecida com as cenas malucas montadas por Christopher Nolan em A Origem (2010), com ruas, casas e prédios entortando. O jogo de câmeras e a intensidade da ação são muito maiores agora, mas tudo fluindo de maneira a favor dos acontecimentos.

Apesar da psicodelia, Scott Derrickson tem um roteiro pouco complexo a seu favor. As viagens ‘cabeça’ são emendadas com o mundo real muito por conta de Christine (Rachel McAdams), enfermeira com passado de idas e vindas com Strange. É justamente no hospital onde trabalha que o alerta é dado: tudo pode parecer mágico e divertido, mas basta estar vivo para morrer. Doutor Estranho pode frustrar quem for ao cinema atrás de algum tipo de revolução no meio dos filmes de super-heróis. A Marvel Studios brinca com a expectativa dos fãs quanto ao que será feito no futuro do projeto ‘Fase 3’ e utiliza suas regras de maneira certeira. Ficar batendo na tecla de que o braço cinematográfico da Casa das Ideias é capaz de ‘mais’ pode ser um desperdício de tempo. Não à toa a aventura de Strange conta com a sensação de trabalho bem realizado passada pela primeira aparição de Tony Stark em 2008. É uma produção boa, com atuações consistentes do elenco, direção eficiente e história empolgante para os amantes das HQs.




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