Bem perto de Alice

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Dérek Bittencourt

 “Quando lia contos de fadas, imaginava que aquelas coisas jamais aconteciam, e cá estou eu metida numa dessas histórias.” A frase é de Alice, que na obra infantil de 1865 (Lewis Carroll) vai ao País das Maravilhas, local lúdico, repleto de fantasias, absurdos, sátiras, paródias, poemas e enigmas. Mas também poderia ser dita por qualquer visitante da Experiência Alice, em cartaz até 30 de novembro em São Paulo. Dividido em 15 ambientes, o espaço de 800 m² leva a aventureiro a interações sensoriais das mais diversas, quase que majoritariamente remetentes ao filme animado por Walt Disney em 1951.

O contato com personagens, por meio de projeções, ilusões de ótica, vídeos e sons, transporta o público do mundo real para o imaginado pela garota a partir, claro, da toca do Coelho Branco. A ideia de poder viver a experiência neste mundo tão incrível foi da ONG Orientavida, em parceria com o JK Iguatemi e aval da Disney Brasil. “É história que sempre me encantou. A maioria das perguntas que Alice faz repito a mim mesma (a exemplo de ‘Quem sou eu nesse mundo?’). Apesar de ter 151 anos é, personagem superatual e pela qual é fácil se identificar”, conta Celeste Chad, diretora e fundadora da ONG. E a interatividade da mostra – que conta com produção cenográfica da Case Lúdico (a mesma de Castelo Rá-Tim-Bum A Exposição e O Mundo de Tim Burton) – é essencial. “O próprio conto tem movimento, então as pessoas tinham que sentir. É impagável ver a reação das crianças ao encaixar os rostos na casa do coelho. Deu tudo tão certo que terá versão itinerante. Deve percorrer o Brasil por dois anos”, adianta ao Diário.

A AVENTURA
“Alice, teu país maravilhoso e tão feliz. Ah, quem me dera um dia achar o teu país”, diz a música de abertura do desenho animado por Walt Disney. A jornada na mostra começa em ambiente decorado com dezenas de obras dedicadas a Alice, incluindo livro com 12 heliogravuras de Salvador Dalí (1965), avaliado em milhares de reais. A sala tem curadoria de Adriana Peliano (presidente da Sociedade Lewis Carroll do Brasil). Ela expõe sua coleção particular de livros e objetos, que aguça o faro por aquilo que está por vir. O Coelho Branco convida a adentrar sua toca, passando por escorregador direto a um recinto com espelhos. Os objetos simulam o crescimento e o encolhimento da menina.

Dali em diante surgem os confusos gêmeos Tweedledee e Tweedledum, o jardim das flores com a sábia, filosófica e intrigante Lagarta, até o encontro com o Gato de Chesire. “Mas eu não quero ver gente maluca!”, questiona Alice em uma frase na parede. “Oh! Não pode evitar. Tudo aqui é maluco”, responde o felino. De fato, é tudo muito doido. E o ponto alto vem na sala seguinte com a mesa de chá do Chapeleiro Maluco, que tem ainda a Lebre de Março. Uma poltrona está estrategicamente posicionada para os visitantes se passarem por Alice e registrarem o momento.

As cartas de baralho da Rainha de Copas estão espalhadas pelo ambiente a seguir, com rosas brancas que se transformam em vermelhas ao tocar. No fim, a majestade manda cortar as cabeças se uma das flores não tiver cor de carmim. “Acorde, Alice!”, é a frase estampada no penúltimo ambiente, antes de o visitante ser levado a cenário do filme produzido por Tim Burton, em 2010, com Johnny Depp como Chapeleiro reunido com todos os personagens em volta da mesa de chá.

> Experiência Alice – Exposição. Até 30 de novembro, de segunda a sábado, das 10h às 21h, e aos domingos, das 11h às 19h. No JK Iguatemi – Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2.041. Ingr.: R$ 35 no site www.ingressorapido.com.br. O espaço permite 220 pessoas a cada hora. Parte da arrecadação será destinada aos projetos sociais da ONG Orientavida.




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