Elegância registrada em estúdio

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Vinícius Castelli

Violão, bossa nova, jazz, elegância e uma doce voz. Quem oferece esse menu sonoro e suave é Tenderly (Sony Music, R$ 32,90, em média), álbum assinado pela cantora norte-americana Stacey Kent feito ao lado do compositor e violonista brasileiro Roberto Menescal. Em comum, além da vontade de trabalhar juntos, os músicos têm também o gosto por canções com assinaturas de nomes como Julie London e Barney Kessel, além, é claro, das composições do Great American Songbook – lista de importantes artistas do jazz e standards norte-americanos. Tenderly, que ainda não tem turnê planejada, é o segundo trabalho em que Stacey e Menescal se juntam para gravar. A primeira parceria foi no disco The Changing Lights (2013). No novo álbum, além do brasileiro, o time de Stacey conta com o marido da cantora, Jim Tomlinson (saxofone e flauta), e Jeremy Brown (contrabaixo).

“Parecia muito natural fazer este repertório com Roberto. Também, antes de gravar, falamos das coisas em comum entre o mundo dele, a bossa nova, e o meu mundo do jazz. Menescal nos fala muito dos anos no início, cantando, tocando na casa da Nara Leão, e os duetos que eles fizeram juntos, parecido com Barney e Julie. Queríamos continuar nesta tradição”, conta Stacey ao Diário.

Em Tenderly, a cantora interpreta 12 composições. Entre elas estão clássicos como Only Trust Your Heart, de Benny Carter e Sammy Cahn, e There Will Never Be Another You, de Harry Warren e Mack Gordon. De Menescal, ela pincela Agarradinho – assinada ao lado de Rosália de Souza–, com português bem cantado pela norte-americana. A escolha das canções, segundo Stacey, foi difícil, pela quantidade de opções. “Na realidade, fazer dez discos assim teria sido fácil”, diz ela. A artista conta que Menescal escolheu a maior parte do repertório do álbum. “A única canção que sugeri que Roberto ainda não conhecia foi If I’m Lucky, de Perry Como.”

Refinado e bem arranjado, o disco tem seus momentos de glória, como em No Moon At All e That’s All, um passeio pelos anos 1950 e 1960. Com ‘sabor’ orgânico, Tenderly foi gravado sem grande produção, segundo a cantora. “É a música como se toca em casa entre amigos”, diz ela. Stacey revela que o álbum foi produzido em estúdio fora de Londres, em local com belos jardins e clima aconchegante. “Ensaiamos em casa bem relaxados e depois fomos para o estúdio. Gravei todos os meus discos ali e foi um prazer introduzir Roberto ao meu mundo depois de sermos tão bem recebidos no Brasil.”

Apaixonada pela música brasileira, a cantora também já gravou, ao vivo, em Nova York, com o carioca Marcos Valle. O registro rendeu CD e DVD. Stacey revela que, hoje em dia, escuta muito a música de Cartola e João Gilberto. “Cantei recentemente também uma faixa com Danilo Caymmi, no disco dele que será lançado em breve, tocando música do Jobim. Da mesma geração, adoro a música de Edu Lobo, Joyce Moreno e Dori Caymmi”, finaliza.




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