Experiência para todos

Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar A- A A+

Compartilhe:

Soraia Abreu Pedrozo

Todo mundo um dia deveria fazer pelo menos um safári. Aprendemos com a experiência de conviver com a vida selvagem. Trata-se oportunidade única de conhecer mais sobre os animais e a respeitá-los, para guardar para sempre na retina e no coração. E tudo é muito seguro. Tanto que, geralmente, crianças a partir de 6 anos podem participar dessa aventura – é recomendável confirmar antes, pois a idade varia conforme o local. Quem puder, deve fazer em dois ou mais dias, porque tem a chance de ver outros bichos, em diferentes situações. Lembrando que o passeio não oferece ‘cardápio’ garantido; as chances de visualização crescem conforme a técnica do ranger e uma dose sorte.

Quem se hospeda nos lodges (hotéis) dentro do Kruger, faz algo mais personalizado, pois se aproxima dos animais. Na versão mais simples, os 4x4 percorrem apenas as estradas principais, não adentram a savana. Nessa mais customizada, a dose de emoção cresce, pois os veículos chegam mais perto dos bichos e o passeio é descolado do roteiro padrão. O veículo ganha novo integrante, o tracker, profissional que enxerga muito bem a longas distâncias e que fica numa cadeirinha na frente do carro para localizar pegadas, fezes e outros rastros dos animais.

Além disso, é possível conseguir ‘a’ foto de uma girafa ou um elefante ao pôr do sol, com sua silhueta, o que não é possível para quem tem que estar fora dos portões do Kruger às 18h. Existem, além dele, outros 18 parques nacionais no país e diversas reservas privadas (chamadas de game reserves), geralmente opções de lodges. Nestas, é possível fazer safári noturno e descer do carro. Ainda, percorrer o local a pé, de bicicleta ou a cavalo.

Dentro do Kruger existe a alternativa do self drive, em que basta alugar carro de passeio, mas só é possível dirigir pelas estradas demarcadas e com os vidros fechados, por questões de segurança, já que não se tem um ranger junto. Em outras reservas, há as mais diversas possibilidades de se fazer safári, como em um balão ou em um barco.

Quanto à melhor época para esse tipo de passeio, geralmente os meses de outono e inverno costumam favorecer a visualização dos animais, por se tratar de período mais seco na savana, em que eles tendem a se movimentar mais em busca de alimento e água. Sem contar que as temperaturas são mais amenas. Já na primavera e no verão, a tendência é de calor forte (com exceções, pois no início de outubro fazia um frio de rachar) e, com a vegetação mais densa, a observação dos bichos pode ser dificultada.

Hakuna Matata: Leão é o rei da selva?

Uma das primeiras imagens que, inevitavelmente, nos vêm à mente quando pisamos no Kruger, é a de cenas da animação infantil O Rei Leão, e ao som imaginário de Hakuna Matata, que significa não se preocupe, e é expressão usada mais comumente em outros países africanos, como Tanzânia e Quênia. Embora não tenhamos visto sequer um exemplar de leão, por falta de sorte, era como se vários deles estivessem ali, soltos, camuflados pelas plantas de tom dourado da savana – e na verdade estavam, só que provavelmente dormindo (eles costumam passar até 20 horas por dia repousando) ou em áreas mais distantes das estradas principais.

A questão que surge é: se não há leão na selva, ambiente úmido, de floresta tropical, com muitas árvores, ou seja, o oposto da savana, de vegetação mais seca e rasteira, por que desde pequenos ouvimos dizer que o leão é o rei da selva? Trata-se de tradução livre da expressão the king of the beasts, que significa, ao pé da letra, o rei das feras. E isso ele é mesmo, pois é disparado o maior predador do mundo animal, está no topo da cadeia alimentar, já que não tem quase ninguém que se atreva a travar batalha com ele. À exceção das hienas, que, em grupo, podem significar algum perigo ao leão (alguma semelhança com O Rei Leão e a triste história de Simba?). A mordida desses bichos é mais potente, inclusive, que a dos felinos. E sua dieta é semelhante a deles, o que pode gerar conflito de interesses, por vezes, quando elas simplesmente não se aproveitam do esforço leonino ao caçar e os espantam. Os búfalos também, que costumam viver em bandos, eventualmente podem bater de frente e oferecer certo risco aos leões.

O felino também é rei por sua juba, que naturalmente tem formato de coroa e, aliás, permite diferenciar os sexos. As leoas, que não têm essa cabeleira dourada, são exímias caçadoras. O rugido do leão é altamente potente, chegando a ser ouvido por oito ou nove quilômetros de distância, o que já é suficiente para demarcar território. Soberanos e autossuficientes, eles podem caçar em grupos ou sozinhos. Um dos menus preferidos, inclusive, são os javalis, também retratados no filme da Disney pelo Pumba, que na ficção infantil é, ironicamente, um dos melhores amigos do leão. 




Diário do Grande ABC. Copyright © 1991- 2017. Todos os direitos reservados