Itaú Cultural debate gestão e preservação de acervos

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Kelly Zucatelli<br>do Diário OnLine



Quantos artistas importantes temos mundo afora? Muitos. Alguns ainda vivos, outros não mais, porém seus legados artísticos foram deixados em acervos para serem dissiminados para a sociedade. Preservar esses trabalhos ricos e marcantes, que retratam comportamentos, momentos históricos dos países, técnicas de pintura e escultura, é o desafio de quem se responsabiliza pela guarda dessas ‘jóias’, mesmo com poucos incentivos públicos que poderiam ajudar no custeio de manutenção, logísticas e divulgação entre outras ações.

A gestão e preservação de acervos é discutida em encontro realizado até amanhã, no Itaú Cultural, em São Paulo, com representantes nacionais e estrangeiros de importantes instituições.

Na abertura dos debates, a diretora do Instituto Rubens Gerchman, do Rio de Janeiro, e gestora do acervo visual do artista carioca Tunga (ícone da arte contemporânea brasileira, morto em junho), Clara Gerchman, falou sobre como foi o trabalho para conservar e manter a integridade das obras de arte de seu pai, Rubens (morto em 2008), que retratavam o urbano, o futebol, a política dentre outras temáticas. Sua arte ficou marcada em trabalhos como a capa do disco Tropicália ou Panis et Circensis, de 1968.

“Foram 50 anos de trajetória com muitos marcos, como por exemplo a criação da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. São mais de 8 mil obras produzidas para cuidarmos. Para institucionalizar o acervo tivemos que separar tudo e quantificar, baseando-se em metodologias que criassem bases estruturantes”, detalhou Clara.

Sobre as possibilidades de parcerias que possam ajudar no incentivo de facilitar o acesso do público e na manutenção dos espaços e conteúdos, a gestora é pragmática em dizer que há muitas dificuldades. “As propostas chegam até serem discutidas com os governos, mas quando esbarra na questão orçamentária fica difícil de viabilizar.”

Mariana Casares, diretora-assistente do Museu Torres García, no Uruguai, também compôs a mesa de debates do primeiro dia para falar do trabalho que realizam na preservação e divulgação da arte do mestre pintor uruguaio, Joaquim Torres García, que tinha como marca a reprodução de textos sobre variados pensamentos em telas.

Há onze anos com o desafio de estudar o acervo de manuscritos do uruguaio, Mariana detalhou alguns pontos que devem ser considerados na elaboração de propostas para edição desses conteúdos. “Nenhum artista é uma só coisa. Quando montamos um fundo arquivista para o acervo, precisamos ordenar os documentos.”

As coordenadoras reforçam que a internet tem sido fonte de apoio para que as pessoas possam ter conhecimento histórico de acervos artísticos e arquitetônicos. “Podemos fazer bom uso das redes sociais e difundir os ricos trabalhos para a sociedade”, concluiu Clara Gerchman. Mais informações acesse www.itaucultural.org.br
 




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